Acabou de comprar um carro usado?

Trabalho de prevenção

Acabou de comprar um usado? Saiba o que deve ser trocado e revisado para evitar dor de cabeça no futuro.

Depois de uma longa pesquisa no mercado, enfim você consegue comprar o usado que tanto queria. O automóvel parece em ordem, tudo funciona bem, não há ruídos estranhos e a pintura está ótima. Será que é só ligar o motor e ir para casa tranqüilo? Nada disso. O pós-compra de um carro de segunda mão pode esconder detalhes que escapam aos olhos e ouvidos mais atentos.

"Quando adquirimos um usado, há componentes que não dá para avaliar se chegou a hora de trocar. Nesses casos, pode ser que surja um problema dentro de um dia ou em um ano. Por isso é melhor fazer a troca preventivamente", afirma Emerson Feliciano, coordenador de pesquisa e desenvolvimento do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi). Para evitar contratempos no futuro, ensinamos a seguir os principais itens que devem ser substituídos ou checados logo após a compra de um carro usado.

Limpeza do cárter

A primeira dica é a mais conhecida – e a mais importante de todas: troque o óleo na primeira oportunidade. Não arrisque, mesmo que o vendedor afirme que foi trocado recentemente. Vale a pena refazer o serviço para ter a certeza de que o carro estará com um óleo limpo e com as especificações determinadas no manual. Ele é o principal responsável pela durabilidade do motor. Igualmente importante é lembrar-se de trocar também o filtro, senão o novo óleo ficará contaminado pelas impurezas do antigo. Uma boa prática em veículos mais rodados (acima de 70000 quilômetros) é mandar abrir e limpar o cárter. Dependendo das condições de rodagem e do combustível utilizado pelo antigo dono, às vezes pode se formar uma película de graxa no interior do cárter, o que vai ajudar a deteriorar mais rapidamente o novo óleo.

Alinhamento revelador

Segundo José Luis Finardi, do Centro Automotivo Finardi, uma das primeiras providências a serem tomadas num usado recém-adquirido é verificar o alinhamento e o balanceamento. É verdade que muita gente acha isso desnecessário, especialmente quando o motorista não percebe nenhuma alteração no comportamento do carro. No entanto, esse serviço pode prevenir um desgaste irregular dos pneus, algo que só seria descoberto 10 000 ou 20 000 quilômetros depois. Outra vantagem adicional é poder verificar se o veículo tem algum vestígio de colisão que é imperceptível mesmo aos olhos mais experientes. "Quando um carro bateu forte, mesmo que o trabalho de recuperação tenha sido bem feito, o alinhamento vai mostrar que alguma coisa aconteceu", afirma o mecânico.

Fluido vencido

A primeira orientação que Marcelo Rodrigues, chefe de oficina da autorizada Honda Hville, dá a quem acaba de comprar um usado é verificar as condições dos fluidos de freio, o item de segurança mais importante do veículo. Muitos proprietários nem imaginam que o prazo de validade desse fluido é, em geral, de dois anos. O que quer dizer que são mínimas as chances de que o antigo dono de um veículo de quatro anos tenha feito alguma troca nesse período. Já que está na oficina, peça para checarem o estado de pastilhas e discos de freio.

Espiada nas luzes

Algo que quase sempre passa despercebido na hora da compra é um check-up no sistema de freios ABS e nos airbags, quando houver. Esses equipamentos têm luzes indicativas no quadro de instrumentos que se acendem e apagam logo depois que a ignição é acionada. Se as luzes não acenderem ou ficarem ligadas permanentemente, significa que algo está errado. É hora de procurar a concessionária ou uma oficina especializada. Emerson Feliciano, do Cesvi, lembra ainda que os airbags que equipam automóveis com mais de dez anos podem necessitar de uma revisão do sistema eletrônico, mesmo que aparentemente tudo esteja em ordem. "Como esse é o prazo estipulado pela maioria das montadoras, não custa ser precavido e levá-lo a uma autorizada para ver se é necessário algum ajuste no sistema", diz.

Correia, filtro e vela

Um detalhe que parece simples demais, mas que pode ter efeitos devastadores em seu orçamento, é a troca da correia dentada. "É um item que merece total atenção. A média de troca desse equipamento é em torno dos 50 000 quilômetros. Logo, se o veículo tem mais do que isso e o novo comprador não tem idéia se a peça foi trocada, faça a substituição. Caso contrário, se a correia se romper, pode até mesmo fundir o motor", diz Marcelo Rodrigues. Segundo Anselmo de Alencar Duarte, chefe de oficina da Fiat Itavema, um dos itens mais importantes, e que é esquecido na revisão pós-compra, é o filtro de combustível. Se ele estiver entupido, pode fazer com que a bomba de combustível queime e deixe o motorista na mão de uma hora para a outra. Algo simples, barato e rápido de ser feito – e que pode economizar bons reais em combustível – é a verificação das velas de ignição. Se elas estiverem com os eletrodos gastos, vão fazer com que o motor não funcione corretamente, provocando aumento de consumo, perda de potência até falhas de funcionamento.

Suspeitos no porta-malas

O carro já foi comprado, você o mandou para uma revisão geral, mas há alguns detalhes não relacionados à mecânica que podem virar um problema na próxima viagem – e que a maioria sempre se esquece de verificar. Você conferiu como está o estepe? Não é raro estar com desgaste exagerado ou no mínimo descalibrado. Cheque o estado do triângulo, se o macaco funciona corretamente e se os parafusos e a chave de rodas têm a mesma medida – sempre há o risco de alguém ter trocado as ferramentas novas por outras velhas. E não se esqueça do extintor de incêndio, que deve estar com a validade em dia e o lacre inviolado – caso contrário está sujeito a levar uma multa de 127,69 reais e ganhar 5 pontos na carteira.

Fonte: Quatro Rodas