Brasil ultrapassa venda de veículos registrada em 2007

Anfavea mantém previsão de aumento de 24,2% nas vendas deste ano.
Estabilização do fluxo de crédito é desafio para 2009, segundo entidade.
Por mais que o mês de outubro tenha sentido a turbulência da restrição de crédito no sistema interbancário – ou seja, os bancos de montadoras ficaram sem ter de onde captar dinheiro para financiar clientes – o setor automotivo está longe de fechar o ano em colapso, de acordo com o volume de veículos vendidos ao longo do ano. As quedas em licenciamento e produção registradas no mês não afetam o balanço final da indústria que, nesta quarta-feira (5), viram as vendas deste ano superarem, em dez meses, o acumulado total (de janeiro a dezembro) do ano passado, de 2.462.728 veículos.
“Mantemos as previsões para este ano, anunciadas anteriormente”, afirma o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider. Segundo as perspectivas, o licenciamento de veículos crescerá 24,2% neste ano sobre os resultados de 2007 e a produção será 15% superior à registrada no ano passado. Ou seja, o Brasil passará o patamar de 3 milhões de unidades vendidas.
Para Schneider, o anúncio do governo de liberação de R$ 4 bilhões em crédito para as montadoras reforçará o bom resultado da indústria automobilística nacional. Somente o Banco do Brasil irá liberar R$ 1 bilhão dessa quantia. “A cadeia automotiva tem impacto econômico muito importante. Em qualquer país do mundo o crédito é fundamental para este tipo de mercado”, diz o presidente da Anfavea.
“Tenho expectativa de que o fluxo de crédito já comece a se normalizar com esse anúncio e com os que esperamos para breve.” De acordo com o presidente da Anfavea, a Nossa Caixa deve anunciar a liberação de verba para o financiamento de veículos na próxima semana.
Desafios
Mais do que estimular as vendas até o final do ano, os recursos serão fundamentais para garantir a expansão em 2009. Jackson Schneider é otimista ao falar sobre as perspectivas da indústria do ano. “Temos condições de potencial crescimento em 2009, obviamente, longe dos números de 2007 e 2008, que foram os anos do ‘boom’ do setor”, destaca Schneider.
Segundo ele, os desafios para o ano que vem são superar o pessimismo gerado pela crise financeira em outros países, a volta do fluxo de crédito à normalidade e a manutenção das exportações. “Temos de esperar para ver como o mercado externo superará a crise e se uma possível perda de clientes nos outros países será compensada pelo novo ponto de equilíbrio do dólar”, conclui.