Com todos os opcionais, compactos disputam lugar com os médios

Que tal pagar R$50.000 em um Palio ou Novo Gol? Ou então pagar R$53.000 no Novo Fox? Quem sabe R$60.000 por um Siena ou Voyage? Não se trata do valor total financiado, mas o valor a vista mesmo! Para muitos parece loucura, mas certamente há quem pague por eles.
Estes preços altos são obtidos se o consumidor resolver comprá-los com tudo o que oferecem. No caso, os famosos opcionais que encarecem os carros a ponto de alguns chegarem a custar quase o dobro do modelo básico.
Quer um exemplo? A Palio Weekend custa cerca de R$38.000, mas a mesma em configuração Adventure Locker Dualogic (grande nome hein?) pode custar mais de R$70.000!
No geral, a maioria das montadoras oferece opcional, sendo que muitos deveriam ser itens obrigatórios, como alça no teto para passageiro, retrovisores com controle manual, ar quente, além de muitos outros.
Isso é apenas para os mais básicos, que não são necessariamente baratos como deveriam. Tudo o que possa ser dispensável e não obrigatório por lei, é retirado dos modelos para serem vendidos separadamente e assim deixar os valores subirem demasiadamente, aumentando os lucros.
Os preços dos compactos completos sobem tanto que chegam a competir com carros de tamanho médio, sendo os médios mais equipados que a maioria dos compactos completos.
Em media, a maioria dos modelos que chegam a R$50.000, R$60.000, R$70.000 ou mais, partem da faixa entre R$30.000 e R$40.000, tendo alguns o privilegio de não passarem dos R$45.000. Exemplos?
O Fiesta completo, seja sedã ou hatch, acaba custando próximo de R$45.000. A Renault segue mais ou menos a mesma linha e tem seus modelos Logan e Sandero próximos dessa faixa, com exceção do Symbol que chega aos R$50.000 e o Sandero Stepway que sai completo por R$55.000.
Peugeot e Citroën, com seus 207 e C3, conseguem ficar na faixa entre R$45.000 e R$55.000, e olha que no caso da Citroën, o modelo C3 que sai mais caro não é o XTR, pretenso crossover que teoricamente deveria ser o mais caro. A GM oferta o Corsa Sedan completo por cerca de R$40.000, sendo os demais modelos a marca em um patamar de preço mais abaixo, com exceção do Agile.
Essa pretensão dos modelos aventureiros é o que também gera um lucro extra para as montadoras, que ao adornarem seus modelos com um visual diferenciado, cobram uma diferença bem maior em relação ao modelo normal.
Essa diferença supera em muito o custo da transformação, sendo o restante cobrado apenas para ampliar a margem de lucro. Isso sem opcionais! Com estes, um modelo compacto pode até quase dobrar de preço!
Enfim, as montadoras no geral querem mesmo é oferecer o básico e ganhar como se estivessem vendendo um modelo completo. Quando o fazem, cobram um verdadeiro absurdo para compensar a já baixa procura por estes equipamentos, que segundo eles, são naturalmente caros.
Ai vem a pergunta: São caros porque vendem pouco? Sim, vendem pouco. O conceito do básico parece que tomou conta do processo produtivo e apresentar modelos mais completos certamente iria reduzir o custo dos equipamentos.
Como há poucas opções de modelos completos por um preço mais justo no mercado, a grande maioria fica refém destes modelos que oferecem o estritamente necessário por valores injustos.
Afinal, somente o mercado poderia obrigar as montadoras a oferecer modelos mais completos e baratos. Tornar obrigatórios itens como ar condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, radio, entre outros, é impossível.
Até agora, somente o governo conseguiu obrigar as montadoras a fazer alguma coisa, que no caso foi a introduzir sistemas de segurança mais eficazes nos automóveis, ficando os demais itens relegados à vontade do mercado.
Então, quando ficar tentado pela propaganda que mostra um modelo totalmente equipado e cheio de maravilhas tecnológicas, não se iluda, o preço que vão te cobrar por eles você acaba comprando um modelo maior e igualmente completo.
Fonte: noticiasautomotivas.com.br