Dança das cadeiras

Todo bom pai ou mãe jamais deve levar os filhos no carro sem a devida proteção, mesmo em trajetos curtos. Afinal de contas, acidentes de trânsito são a maior causa de morte entre crianças até 14 anos. Se isso não bastar, a resolução 277/08 do Contran determina que a partir do dia 9 de junho se fiscalize se os menores de 10 anos estão sendo transportados corretamente. Em caso de infração, são 191,54 reais de multa, 7 pontos na carteira e a apreensão do carro.

A questão é saber o método correto de retenção da criança. Os bebês devem viajar no bebê-conforto. As crianças que já conseguem se sentar, acima de 1 ano e de 9 kg, devem passar para a cadeirinha de segurança. Mas um erro muito comum é os pais deixarem o filho na cadeirinha além da idade ideal. Poucos sabem a hora certa de trocar a cadeira pelo assento de elevação, o chamado booster. Segundo as recomendações, é quando a criança passa de 4 anos ou 18 kg, mas há outros cuidados a levar em conta.

“Chegou a hora de trocar a cadeirinha pelo booster quando as tiras da cadeirinha começam a envolver os ombros da criança, em vez de ficar acima, ou quando o topo da orelha dela ultrapassa o topo da cadeira. E deve-se sempre seguir o peso conforme a recomendação do fabricante, pois foi para isso que a cadeira foi testada”, afirma Alessandra Françoia, coordenadora nacional da ONG Criança Segura.

Fala que eu te escuto
Outra alternativa é ouvir a criança. Foi o caso da médica Patrícia Domingues, 36 anos, e do filho André, 5 anos. “Ele que me pediu para trocar a cadeirinha. Disse que estava desconfortável”, diz Patrícia, que colocou o booster no banco de trás de seu Siena recentemente. Colocou é modo de dizer. “A cadeirinha se transforma em booster. Comprei-a por isso. Foi um pouco mais cara, mas me poupou dinheiro e o tempo de procurar um booster.”

O assento de elevação serve para que a criança possa usar o cinto de três pontos do carro como se tivesse a altura mínima necessária, ou seja, 1,45 metro. “Quando uma criança passa a utilizar prematuramente o cinto de segurança, a faixa subabdominal se posiciona sobre o abdome e a transversal atravessa o pescoço e a face. Esse posicionamento predispõe a criança ao risco de lesões cervicais e abdominais”, diz o médico Flavio Adura, diretor da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet). O certo é o cinto ficar entre o ombro e a base do pescoço, sobre a clavícula, e sob o abdome ou nos quadris. Mas atenção: “O assento de elevação só pode ser instalado com cinto de três pontos”, afirma Alessandra.

Outra indicação importante é a certificação oficial de que o booster segue a NBR 14400, que determina os requisitos de segurança mínimos, garantidos pelo selo do Inmetro. Como todos devem trazer esse selo desde 1º de outubro de 2008, fuja de boosters que não os apresentarem, inclusive os importados.

Selo econômico
O selo do Inmetro ainda pode garantir uma boa economia ao bolso, já que nivela os diversos modelos de booster disponíveis no mercado. E os preços podem ser bem diferentes. “Os valores podem variar de 150 a 1 000 reais”, diz Alessandra. Como todos à venda hoje devem atender às normas do Inmetro, a escolha do booster não recai sobre critérios técnicos, mas sim pessoais (se o revestimento suja ou é fácil de limpar, se tem bom acabamento etc.), de orçamento e de conforto da criança.

Para quem quer economizar, a dica é seguir o que Patrícia fez e já comprar uma cadeirinha que se transforme em booster. “É fundamental instalá-lo para ver se ele é apropriado para o cinto e banco do veículo e peso e altura da criança”, diz Adura, que faz mais uma recomendação importantíssima. “Nunca reutilize dispositivos de segurança que foram submetidos a impactos de acidentes anteriores.”

Na instalação, saiba que a posição mais segura do veículo é o centro do banco traseiro, onde a criança fica menos vulnerável a choques laterais – mas desde que ele tenha cinto de três pontos. “Os boosters são projetados para se ajustarem ao banco traseiro, elevando a criança a uma altura tal que permita que o cinto fique corretamente posicionado. O cinto de segurança do veículo ideal para esse posicionamento é o de três pontos”, disse Adura.

Além do booster, portanto, quem está no momento de trocar de carro deve considerar um veículo que ofereça cinto de três pontos no centro do banco traseiro. Se seu veículo não o oferecer, instale o booster nos cintos laterais. Caso ele tenha só dois bancos dianteiros, como uma picape ou um Smart, a lei permite que crianças menores de 10 anos sejam transportadas na frente, mas com os mesmos cuidados para quem anda no banco de trás, ou seja, também com o booster, se for o caso. “É preciso ainda colocar o banco totalmente para trás e desligar o airbag, caso o veículo seja equipado com ele”, diz Alessandra. Podendo optar, evite. Lugar de criança é no banco de trás. E bem segura.

Fonte:quatrorodas.com.br