Digitais, voz, olhos e veias servirão no futuro para abrir o carro e até ligar o motor

As chaves que abrem as portas e acionam os motores dos automóveis estão com os dias contados. E o desaparecimento não se dará pela substituição por cartões ou outros dispositivos, como já ocorre atualmente em alguns modelos de luxo. A indústria vai lançar mão de sistemas que reconhecem os motoristas pelas características pessoais. Uma vez identificado, o motorista só precisará puxar a maçaneta e apertar um botão do tipo Start/Stop, localizado no painel do carro. As fábricas já apóiam suas pesquisas de desenvolvimento na biometria, estudo estatístico das características físicas e comportamentais dos seres humanos. O objetivo dos estudos biométricos é reunir conhecimento suficiente para que um dia as características físicas formem a própria identidade das pessoas, substituindo os documentos tradicionais. No caso dos automóveis, a idéia é dificultar a vida dos ladrões e livrar o motorista de precisar carregar a chave no bolso.

Uma vez que os sistemas estejam disponíveis, as fábricas podem aplicá-los da forma que julgarem melhor. Mas alguns dispositivos são mais apropriados para a ignição do motor, como os de reconhecimento da íris e os de comando de voz, enquanto outros têm maior serventia para liberar a abertura das portas, como é o caso dos leitores da circulação sanguínea e os sensores de digitais.

Os sensores que liberam a partida devem permitir a memorização de dois ou mais motoristas, quando o carro tiver mais de um usuário (como acontece hoje com alguns bancos que têm ajustes elétricos). E, além disso, devem disponibilizar também uma chave reserva, ou um código de acesso especial, para as ocasiões em que o proprietário deixa o carro aos cuidados de um manobrista.

IMPRESSÕES DIGITAIS
Seu uso já é bastante comum entre usuários de computadores e profissionais que têm acesso a locais restritos. Nos Estados Unidos, há empresas que vendem por cerca de 400 dólares kits verificadores de digitais para instalar em automóveis, que bloqueiam a partida do motor caso as digitais do motorista não correspondam aos padrões gravados na memória.
Vantagens: Até hoje, nunca encontraram duas digitais iguais, além de ser um sistema que já é utilizado comercialmente.
Desvantagens: Pequenas lesões na pele, umidade e sujeira dificultam a leitura dos sensores. Há ainda pessoas com síndrome de Nagali, que possuem as polpas dos dedos lisas. Sem falar que tem gente que morre de medo de ter os dedos cortados por ladrões.

CORRENTE SANGÜÍNEA
A Hitachi desenvolveu um sensor para ser instalado na parte interna da maçanetas. Quando o sujeito puxa a maçaneta, o sensor emite raios infravermelhos que são absorvidos pelo sangue, formando um mapa das ramificações das veias, abaixo da pele. Se os dados não baterem com os mapas memorizados, o carro não abre. O padrão das veias das pessoas é tão único quanto a impressão digital.
Vantagens: as veias são um órgão interno, teoricamente mais protegido de possíveis lesões. Além disso, o sensor infravermelho ignora sujeira, lesões superficiais e até mesmo luvas.
Desvantagens: é preciso posicionar a mão de forma bem alinhada para que o sistema mapeie a mesma região dos dedos que foi gravada previamente na memória do sistema.

RECONHECIMENTO DE VOZ
Os sistemas de comando de voz dotados de softwares mais avançados conseguem identificar não só as palavras como também o emissor da mensagem. Eles fazem isso por meio da análise das características fisiológicas das pessoas (como o formato das paredes nasais, por exemplo) e dos padrões de cadência, volume e até dos acordes alcançados com mais freqüência.
Vantagens: além de ser usado como item de segurança, esse dispositivo pode ser aplicado para o acionamento de diversos sistemas do veículo, como o dos vidros elétricos e os sistemas de som e de navegação.
Desvantagens: problemas de saúde que afetem a fala, como gripes, resfriados e inflamações da garganta, podem atrapalhar o reconhecimento. O reconhecimento da íris é baseado em estudos realizados pela Universidade de Cambridge. Na verificação, um sensor óptico capta os padrões da íris e um computador os transforma em códigos matemáticos.

LEITURA DE ÍRIS
O reconhecimento é feito por meio de uma câmera. O motorista nem precisa olhar diretamente: basta estar num raio de 90 centímetros para o sistema perceber.
Vantagens: A íris é um órgão protegido e estável durante toda a vida da pessoa. Segundos os especialistas, as chances de existirem duas íris iguais é de uma em milhares de quatrilhões.
Desvantagens: Lentes de contato, cataratas e outras infecções prejudicam. Além disso, como a imagem da íris é transformada num código digital, há o risco de fraude eletrônica.

Fonte: Quatro Rodas