Emoção de volta

Quem pediu por emoção após a monótona primeira corrida do ano, no Bahrein, e acordou na madrugada para assistir ao GP da Austrália, ficou satisfeito neste domingo. O circuito montado nas ruas do Albert Park, em Melbourne, foi palco de uma das melhores provas dos últimos anos, com todos os ingredientes possíveis para apimentar o espetáculo: chuva, incertezas, ultrapassagens e erros. Ou seja, bastou uma pista mais seletiva do que a de Sakhir (e o asfalto ficar molhado) para o GP ficar mais emocionante. Da mesma forma que tem acontecido nas últimas temporadas da categoria.
A vitória de Jenson Button na Austrália mostrou que o clamor por mudanças no regulamento era um pouco precipitado. As corridas não estão chatas por causa da falta do reabastecimento. O que aconteceu no Bahrein foi um misto da característica do circuito com a aerodinâmica refinada dos carros. Uma pista sem grandes desafios combinada com a turbulência vinda dos aerofólios é uma mistura perigosa, que colabora para o tédio. Melbourne também provou que a obrigatoriedade de troca de pneus é um erro. Por causa da pista molhada no início, os pilotos puderam se arriscar em táticas diferentes, que provocaram muitas disputas na corrida.

A vitória de Jenson Button foi muito merecida. O inglês foi o primeiro a tomar coragem e se arriscar nos pneus para pista seca. A ousadia lhe renderia a segunda posição em condições normais, mas ele teve a sorte de Sebastian Vettel, da RBR, ter um problema com a roda direita e abandonar a prova após ficar atolado na caixa de brita. O piloto da McLaren, atual campeão mundial, não fez mais pit stops e conseguiu uma vantagem confortável para Robert Kubica, da Renault, outro destaque da corrida. O polonês segurou a pressão dos rivais durante toda a prova sem cometer um erro sequer.

Os desempenhos de Felipe Massa e Fernando Alonso, a dupla da Ferrari, também merecem elogios. O brasileiro tinha um carro complicado com a temperatura do asfalto mais baixa, mas conseguiu andar bem ao longo de toda a corrida. Mesmo no final, com pneus gastos, não permitiu a aproximação do companheiro espanhol. O bicampeão, aliás, caiu para último após ser tocado na largada, mas se recuperou de forma impressionante e escalou o pelotão até o quarto lugar. Eles mantiveram as duas primeiras posições do Mundial de Pilotos com a regularidade nas duas corridas.

Fonte: G1 “voando baixo” Rafael Lopes