Fiat Punto

Quem diria: a Fiat, que em 2002 viveu a pior crise de sua história, com um prejuízo acumulado de 1,4 bilhão de euros, agora é a marca que mais cresce na Europa. No primeiro semestre deste ano, as vendas de veículos no Velho Mundo encolheram 1,1%, enquanto as da Fiat cresceram 6,7%. O principal responsável por essa mudança tem nome, segundo a empresa. É o Fiat Grande Punto, modelo lançado lá em 2005 e que já teve mais de meio milhão de unidades produzidas. Agora é a vez de o Brasil conhecer esse carro, que no mês passado começou a ser produzido e vendido no país. Com ele, a Fiat espera assegurar a posição de líder em nosso crescente e cada vez mais concorrido mercado. A expectativa é vender 2 500 unidades mensais, meta modesta se comparada ao volume de quase 20 000 unidades mensais do Palio. Mas, ainda assim, um número importante diante das cerca de 1 000 unidades do Stilo. Na Europa, o Punto representa 40% das vendas da Fiat. Mas será que o que é bom para a Europa é bom para o Brasil?

Para ter essa resposta, submetemos o Punto (no Brasil, ele vai se chamar apenas assim) a uma dura sabatina. Levamos duas versões (1.4 e 1.8) para um teste completo na pista e ainda comparamos a 1.4 ELX com dois de seus principais rivais: Citroën C3 GLX e VW Polo 1.6.

O Punto chega em quatro versões: 1.4, 1.4 ELX, 1.8 HLX e 1.8 Sporting, com preços entre 37 400 e 51 900 reais. "Vai disputar os compradores de compactos premium e de hatches básicos", afirma o diretor comercial Lélio Ramos. Dentro de casa ele briga com as versões do topo da linha Palio e as básicas do Stilo. A ELX, que você vê nestas páginas, sai por 41600 reais na versão básica, que traz ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, faróis de neblina, vidros (dianteiros) e travas elétricos e imobilizador Fiat Code de série. Segundo a Fiat, essa versão deve responder por 60% das vendas do modelo, enquanto a básica ficará com 10% e as outras duas 1.8 terão 15% cada uma.

A posição intermediária entre Palio e Stilo não está só no preço. O Punto é 19 centímetros maior que o Palio e 22 centímetros menor que o Stilo. No entreeixos, que dá a medida do espaço reservado à cabine, o Punto é 9 centímetros maior que o Palio e 14 centímetros menor que o Stilo. Só no portamalas, com 280 litros, o Punto fica atrás do Palio, com 290 litros, e do Stilo, onde cabem 380 litros.

Berço robusto
Ao volante, o Punto é um autêntico Fiat, no padrão de acabamento, no comportamento e até no cheiro de carro novo que impregna a cabine. No trânsito, sua suspensão é macia como a de um Siena. A direção é rápida, ainda que um pouco pesada nas manobras de estacionamento. E o câmbio do 1.4 foi escalonado com as três primeiras marchas mais curtas, para garantir certa vivacidade nas arrancadas, enquanto as outras duas são longas, para assegurar economia e menor nível de ruído. Aliás, a mesma receita seguida no Palio. No Punto 1.8, como o motor tem mais fôlego, essa diferença de respostas é menos clara – assim como no Stilo.

Na pista de testes, o Punto se revelou bem mais divertido que os irmãos. Isso porque ele é mais bem assentado que o Palio (por causa das maiores bitolas dianteira e traseira e dos pneus aro 15, no lugar de 14) e tem centro de gravidade mais baixo que o Stilo (que é mais alto e pesado). O Punto apresentou ótima dirigibilidade, mantendo-se sob controle mesmo quando provocado. Nas curvas, ele se comporta de maneira neutra, ainda que o motorista retire o pé do acelerador repentinamente, condição em que é comum a traseira perder a aderência. Esse equilíbrio tem a ver com a suspensão e também com a construção da carroceria. Segundo a Fiat, o Punto já nasceu com uma estrutura robusta e, para rodar no Brasil, recebeu ainda mais reforços nos lugares de maior tensão, como os pontos de fixação da suspensão. "O Punto tem ótima rigidez torcional, 10% maior que a do Palio", afirma o diretor de engenharia Claudio De Maria.

O desempenho das duas unidades, 1.4 e 1.8, ficou dentro das médias alcançadas por veículos como Palio e Stilo, com motorizações semelhantes, em testes anteriores. Mas era de se esperar alguma melhoria, uma vez que os dois motores passaram por aperfeiçoamentos antes de equiparem o Punto. O dois tiveram as centrais remapeadas e ganharam novos coletores de admissão (com dutos de maior diâmetro). No caso do 1.4, houve ainda a troca dos coletores de escapamento. No lugar do tradicional ferro fundido, entrou uma peça de aço tubular, para facilitar o fluxo e diminuir perdas de carga. Na prática, no motor 1.4, a potência (com álcool) passou de 81 cv a 5 500 rpm para 86 cv a 5750 rpm e o torque se manteve em 12,5 mkgf, mas em regime mais alto. O volume máximo passou a chegar nas 3500 rpm, enquanto no Palio ele vem nas 2250 rpm. Mas, segundo a Fiat, não houve perdas. "A curva de torque ficou mais plana, com força disponível em uma faixa de funcionamento mais ampla", afirma o engenheiro Daniel Basoli. O motor 1.8 ganhou 1 cv, totalizando 115 cv. Essas mudanças não serão incorporadas aos motores de mesma cilindrada de Palio e Stilo, segundo a Fiat.

As novidades mais importantes não estão nos motores, porém, nem no sistema Blue&Me (veja na pág. 82) e nem, muito menos, no design criado pelo estúdio italiano Giugiaro – que é importante, mas dispensa apresentações. Digna de nota é a tecnologia voltada para a segurança. Desde a versão ELX, o Punto pode vir equipado com duplo airbag frontal e freios ABS de última geração (8.1), itens oferecidos como opcionais dentro de um pacote chamado HDS (High Safety Drive) vendido por 2 900 reais. Para as versões 1.8 existe ainda a possibilidade de adicionar airbags laterais e sistema de proteção de cabeça para colisões traseiras (anti-whiplash), ao custo extra de 2 460 reais. Melhor seria se esses recursos fossem equipamentos de série, como ocorre nos países desenvolvidos – na Europa e nos Estados Unidos, a briga agora é para tornar o ESP obrigatório. Mas é uma evolução. Tecnicamente, a possibilidade de vir equipado com esses sistemas demonstra a modernidade do Punto, que conta com uma nova arquitetura eletrônica que permite esse tipo de instalação. Se o foco for para modernidade e segurança, a resposta àquela pergunta no início do texto é um sonoro "sim". Nesse aspecto, o que é bom para a Europa é ótimo para o Brasil.

Minissaias
A Sporting 1.8 é a versão top e também a mais esportiva da linha. Mas seu reinado dura somente até a chegada de uma quinta versão, que deverá ser a Abarth, assim como ocorre com o Stilo. Essa versão mais apimentada deve chegar no início do ano que vem, depois do sedã Linea, e virá com um novo motor, que poderá ser turboalimentado e com potência próxima aos 200 cv. Não será o mesmo motor 1.9 que virá a bordo do Linea.

A diferença do Sporting para o HLX, que tem o mesmo motor 1.8, está principalmente no visual. Por fora, o Sporting tem faróis com lentes escurecidas, minissaias laterais, spoiler traseiro e ponteira de escapamento cromada. Por dentro, os frisos do painel, os aros dos instrumentos e as maçanetas das portas são vermelhos, assim como os cintos de segurança. Os pedais são esportivos, recobertos com metal. Em relação ao conteúdo, há as rodas de liga leve, de aro 16, e o kit de segurança com duplo airbag e ABS, que é opcional no HLX.

Em nosso primeiro contato, o Punto Sporting 1.8 impressionou mais pelo visual que pelo bem comportado desempenho, com média de aceleração de 0 a 100 km/h de 12,6 segundos e velocidade máxima de 173,5 km/h.

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ELX 1.4 – R$ 41 600

Bem equipada, esta versão tem ar-condicionado, direção hidráulica e vidros elétricos dianteiros de série.