Hamilton fora insultado na China, fala Mosley

O caso de racismo contra Lewis Hamilton, que aconteceu semana passada, não foi o primeiro contra o piloto na F-1. O pai do inglês, Anthony Hamilton, revelou aos órgãos controladores da categoria que seu filho foi hostilizado no GP da China do ano passado.

Os acusados, segundo ele, claro, são os fãs espanhóis de Fernando Alonso. "Anthony Hamilton me disse que algumas pessoas foram abusivas na China e elas não eram fãs locais, mas pessoas que saíram da Espanha para acompanhar a prova", afirmou Max Mosley, presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que também citou Ron Dennis como vítima de hostilidades de espanhóis no GP da Turquia.

"Se eles forem para a Austrália e fizerem algo parecido, eles poderão ser presos, saberemos seus nomes, números de passaporte e eles não poderão ir a outros países. Faremos de tudo para que isso aconteça. Se, caso for o caso, apenas um número pequeno de pessoas estiver envolvido, podemos dar um fim imediato. Caso contrário, deveremos excluir a corrida do calendário", continuou, em entrevista ao "The Times".

Mosley, inclusive, insiste nas ameaças de retirar as praças do campeonato, como fez com as provas espanholas após o episódio da semana passada em Barcelona. "Temos a cabeça aberta, mas precisamos ser responsáveis e cautelosos. Não dar às autoridades espanholas a oportunidade de mostrar que podem lidar com isso e garantir que isso não aconteça mais esteve acima de tudo. Mas é necessário deixar claro que isso não será tolerado."

O fato de saber que o automobilismo poderia ser afetado com situações como estas deixou Mosley chocado. Tanto que a FIA planeja usar o próprio GP da Espanha, marcado para o dia 27 de abril, para lançar uma enorme campanha anti-racismo, trabalhando com projetos de outros esportes, como o "Kick It Out" e o "Futebol contra o racismo na Europa", além de contar com o apoio da Federação Espanhola, que mostrou "apoio e solidariedade" com Hamilton.

"Isso é contra a ética do esporte. Uma das coisas que mais me atraiu no automobilismo é que ninguém ligava para seu passado, gênero, cor e religião. A única coisa que importava era sua velocidade. Por causa disso, sempre atraiu competidores e apoiadores dos mais diferentes países, que trabalharam juntos sem nenhum problema", completou.

Enquanto isso, na briga entre as imprensas inglesa e espanhola, o jornalista John Carlin, editor do "El País", escreveu um artigo no inglês "The Times" com argumentos que justificam a atitude dos torcedores em Barcelona como um fato isolado, usando fatos históricos para mostrar que existem países europeus (incluindo o Reino Unido), mais preconceituosos que a Espanha.

"Não existe parte racista na política espanhola, como acontece na França, Áustria, Holanda e, até, no Reino Unido. Após os atentados de 11 de março de 2004, em Madri, quando quase 200 pessoas morreram, não houve vingança contra os muçulmanos, em um contraste com o que aconteceu na Holanda após o assassinato do diretor de cinema Theo van Gogh", afirmou.

E Hamilton? O piloto crê que este trabalho foi feito por uma minoria, insiste que sempre foi tratado muito bem pelos fãs espanhóis e evita tocar no assunto.

Fonte site Grande Prêmio.