Kasinski e seu scooter eletrico

Algumas empresas pequenas têm coragem de fazer coisas que as grandes jamais fariam. Carros elétricos existem aos montes pelo mundo, mas nenhum grande grupo teve a audácia de lançar um para a massa. A Kasinski, por outro lado, é uma dessas empresas corajosas. Seu único veículo elétrico à venda no Brasil é o scooter Prima Electra 2000, atualmente montado em Manaus e que em breve será fabricado no Rio de Janeiro junto a outros modelos.

Ele não é um scooter comum, com câmbio CVT e bom espaço para objetos debaixo do banco. É pesado (128 kg) e tem distribuição de massas bem diferente, fato que prejudica a estabilidade, pois as baterias ficam embaixo do banco (no lugar do porta-objetos do Prima 150) e numa altura elevada. Guiá-lo é uma tarefa atípica que exige habilidade e um pouco de paciência. O scooterzinho impressiona pelo charme e pelo conforto, já que suas linhas são harmônicas e proporcionais. Os responsáveis por essa beleza são os designers da italiana Piaggio, empresa parceira da Zongshen (proprietária da Kasinski).

Eles cuidaram de detalhes interessantes como o módulo que fica no lugar do escapamento e do baú. Colocá-lo para andar é simples. Basta girar a chave e levantar o cavalete lateral (nele há um interruptor que desliga todo o sistema elétrico). Depois o painel fica acesso e o motor, pronto para ser acelerado. Há um leve ruído nas acelerações, mas este some quando se está em velocidade constante. No painel há três mostradores que indicam consumo instantâneo de energia (amperímetro), velocidade da moto e carga da bateria (voltímetro).

Próximo ao polegar esquerdo há um seletor de rendimento, onde é possível escolher entre os modos Conforto (maior autonomia e menor agilidade), Normal (intermediário) e Esportivo (maior agilidade e menor autonomia). O motor de 2000 watts fica instalado na própria roda traseira e não possui transmissão. Tem força para vencer pequenos aclives e quase não sente o peso de um eventual passageiro. Três baterias ficam junto à fonte de 48 volts que é ligada à tomada doméstica.

O plugue, porém, não está no novo padrão e exige algum acessório para conectá-lo na tomada. O tempo de recarga é 6 horas e a autonomia é 50 km, sendo que parte da energia é readmitida nas frenagens. Defeitos que incomodam estão no comprimento do assento, muito curto, e na tampa do baú, a única fonte de ruído. No dia-a-dia o Prima cumpre sua função corretamente e tem velocidade máxima até 60 km/h, alcançados sem trancos ou trocas de marcha. Não é rápido e nem tem aptidão para pavimentos ruins, mas acompanha o tráfego urbano (com certa lentidão). Por enquanto ele tem apenas um concorrente, o Traxx Vico, e merece nossos votos de sucesso.

Por Diego Sousa