Massa apóia economia na Fórmula 1, mas rejeita reduzir seu salário

O brasileiro Felipe Massa, vice-campeão da temporada 2008 da Fórmula 1, voltou a se declarar a favor da tendência de redução de custos da categoria, nesta segunda-feira, em São Paulo. Ao ser questionado sobre receber menos, porém, o piloto recuou.
“Disposto [a ter o salário reduzido] não”, assegurou o ferrarista, sem hesitar. “Em um meio competitivo como esse, o piloto é peça fundamental. E o custo com os pilotos nem se compara com o budget (orçamento) total das equipes”.

A afirmação de Massa vai de encontro ao que falou também nesta segunda o diretor esportivo da escuderia italiana. À revista Autosprint, Stefano Domenicali declarou que poderia pedir aos pilotos que aceitassem uma redução de salários.

“Todas as equipes grandes e pequenas apertam o cinto e analisam os custos com lupa”, justificou o dirigente. “O passo seguinte na F-1 é dialogar com os pilotos sobre os contratos. No atual clima das equipes de topo, não se pode pensar em oferecer quantias de dinheiro aos pilotos”.

Sem querer que a crise afete o bolso de sua classe, Felipe Massa mostrou-se favorável às primeiras medidas de corte de gastos aprovadas pelo Conselho Mundial da FIA há duas semanas. “Quanto mais à gente seguir trabalhando para reduzir os custos, melhor vai ser”, apontou.

O paulista, no entanto, voltou a criticar veementemente a implementação de um motor único para os times. Segundo as previsões da FIA, a partir de 2010 as equipes que não são montadoras terão a sua disposição um propulsor padrão, mediante o pagamento de 5 milhões de euros. A princípio, aquelas que são fabricantes poderão continuar usando seus próprios motores.

“Não acho isso nada interessante. Lutar para diminuir os custos é importante, mas o motor único foge do que é a F-1, não pode acontecer”, reclamou Massa. “Imagina a Ferrari correr com outro motor que não seja uma Ferrari, ou a Mercedes, ou a Toyota, ou a Renault. Isso não cabe dentro da casa automobilística que é a F-1”.

Na opinião do piloto, a padronização dos motores poderia até vitimar outra escuderia da categoria, tal como a crise mundial fez com a Honda.

“Acho que com isso [motor único], teria uma chance ainda maior de perdermos outras equipes”, avaliou. “Ficamos tristes com a saída da Honda. É importante manter um nível competitivo, e a gente não quer ver uma equipe importante deixando a categoria. É sempre mais legal enfrentar uma Honda, uma McLaren, uma Renault do que uma equipe que não seja de fábrica”.
FONTE: UOL ESPORTE