Meio século de paixão

Encontro em Curitiba, no próximo domingo, comemora o Dia Nacional do Fusca e os seus 50 anos de produção nacional.
Neste mês de janeiro o Fusca está completando 50 anos de fabricação nacional e duas décadas da criação do Dia Nacional do Fusca, comemorado no último dia 20. Até hoje é o único automóvel no país a receber tal homenagem. Em Curitiba, as datas serão celebradas no próximo domingo (25) no estacionamento do Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, das 9 às 19 horas, com a exposição de aproximadamente 500 veículos. Por lá desfilarão versões fabricadas no Brasil, unidades produzidas na Alemanha na década de 40 e 50 e ainda automóveis derivados do “Besouro”, como Kombi, Variant, Brasília, Karmann-Ghia, entre outros, além de Puma e MP Lafer, cujos chassis e motores foram emprestados do Volks. Será um passeio pela trajetória do carro mais popular do planeta.
Segundo Ronaldo Gallo, do grupo Rustedlive, que organiza o evento ao lado do clube Amigos do Volks, o encontro curitibano é um dos mais importantes e prestigiados do país. “Além do Paraná, teremos participantes de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, informa. A exposição também estará aberta aos demais interessados em exibir seu Fusca ou derivados. A inscrição pode ser feita na hora, sem nenhum custo.
Estilos
O público que comparecer ao Palácio Iguaçu terá a oportunidade de conferir os mais diferentes tipos de fuscas, muitos com visuais personalizados ao gosto do dono e outros que seguem estilos bastante difundidos no Brasil. O Fusca branco, ano 1954, de Ronaldo Gallo, por exemplo, integra a corrente Ratlook (“Visual Sujo”), que cultua modelos com lataria mais “surrada”, às vezes até enferrujada, porém com equipamentos novos, como rodas, e motor modificado. “O estilo chama atenção pela carroceria desgastada pelo tempo, de pintura desbotada, mas com mecânica, suspensão, freios e elétrica em perfeito estado”, explica ele.
Há quem prefira o estilo Old School (“Velha Escola”), onde a originalidade é mantida em boa parte do carro, realçada com a valorização de acessórios da época, de preferência cromados. O modelo ganha, no entanto, um toque esportivo nas rodas de liga-leve e na suspensão rebaixada. “O motor pode ser original ou mexido. Já o número de acessórios não deve ser exagerado”, diz Rodrigo Beghetto, dono de um modelo 1971, equipado com rodinhas do Porsche 356 e painel em madeira.
A cultura tuning é muito forte entre os fuscamaníacos mais jovens e se destaca pelo design recheado de itens esportivos, pinturas chamativas e motorização com muitos cavalos de potência. Um dos representantes é o personagem do cinema Herbie, que ganhou uma versão “street” em Curitiba do proprietário Erik Wolf Ribas. “Coloquei para-choques em formato de picareta e rodas esportivas aro 19 pretas. Adicionei ainda diversos relógios medidores no painel e estilizei com linhas disformes as famosas faixas azul e vermelha no capô e na lateral do Herbie”, ressalta Ribas, que participa do Nippon VW Clube.
Os mais antigos já preferem o estilo original, que preza pela fidelidade visual e mecânica de fábrica. “Mantemos a originalidade dos veículos, entendendo esta como a melhor maneira de preservar a memória da história automobilística”, resume Marcelo Moura de Oliveira, presidente do clube Amigos do Volks. Ele levará para o encontro o seu modelo alemão oval, ano 1953, que se destaca pela composição chamada de “saia e blusa” nas cores preto e bege e que recebeu o apelido de “olho de sogra”, devido às duas cores que lembram o famoso doce de aniversário. “Atualmente ele está com 60% de originalidade, mas já adquiri as peças para torná-lo todo original”, diz o presidente.
Apesar das diferentes formas de culto ao Fusca, uma coisa todos os fãs têm como regra básica: manter a alma Volkswagen no motor refrigerado a ar e no chassi. “Quem não seguir esse princípio, não poderá participar do encontro deste domingo”, sentencia Oliveira.
“Carro do Povo”
O Fusca foi lançado oficialmente em 1935, na Alemanha, com o nome de Volkswagen, que em alemão significa “carro do povo”. Apesar de receber cerca de 84 mil novos itens ao longo da história, sempre manteve a sua silhueta em forma de “besouro”, daí o apelido.
O projeto do carro foi um pedido de Adolf Hitler ao projetista Ferdinand Porsche, antes da Segunda Guerra Mundial. O ditador alemão queria um carro prático, de fácil manutenção e que durasse bastante. Equipado com motor refrigerado a ar e câmbio de quatro marchas, o Fusca foi uma revolução para uma época. Por aqui, o modelo parou de ser produzido em 1986 (foram 3,3 milhões de unidades). No entanto, em 1993, o ex-presidente Itamar Franco incentivou o relançamento do veículo. Cerca de 40 mil carros fabricados até julho de 1996.