Mercado:Consumidor troca o básico por itens de conforto

O consumidor brasileiro está deixando de lado um velho hábito: comprar carro básico.

Já foi a época em que a maioria dos consumidores preferia pagar caro para ter apenas o necessário – ou menos que isso – em um automóvel. Agora eles pagam caro para ter os mesmos produtos, só que mais equipados.

O “equipado” é apenas modo de dizer, já que os itens preferidos pela maioria são ar condicionado, direção hidráulica, vidro e trava elétrica. Rádio, alarme e outros acessórios, são facilmente encontrados no comércio de nossas cidades.

Outro fator que ajuda o consumidor a deixar de lado o “peladão” é a imensa oferta de crédito fácil para financiar os veículos novos.

Prazos de até 72 meses, com ou sem entrada, pagamento para o próximo ano, parcelas decrescentes, IPVA de graça, licenciamento, entre outros artifícios, são utilizados pelos bancos, concessionárias e montadoras para facilitar a vida do consumidor, e claro, ganharem mais dinheiro.

Hoje em dia a diferença das parcelas entre um modelo básico e um completo – ou quase – é muito pequena, o que faz brilhar os olhos do futuro comprador e ainda mais do vendedor.

Segundo relatado pelo site O Tempo, em 2002 os modelos de entrada dominavam o mercado com 66,7% das vendas. Até o dado momento em 2010, essa participação é de 36,6%.

Outro fator é que depois da crise, o preço dos carros usados despencou e a taxa de juros para financiamento dos mesmos só aumentou. Então, em muitos casos o consumidor prefere pegar o modelo novo mais simples do que um usado completo, logicamente tendo alguns itens de conforto.

Hoje o consumidor quer mais conforto e também mais segurança em um automóvel, mesmo que o segundo item fique muitas vezes relegado a segundo plano pelo simples fato de uma bolsa inflável ou um freio ABS custarem os olhos da cara no país.

Também falta uma cultura de uso destes itens no Brasil, já que muita gente ainda dispensa a segurança em detrimento do conforto. Será preciso o governo federal impor essa cultura para que montadoras e consumidores tenham mais atenção à segurança, mesmo que pra isso o custo fique um pouco maior.
Fonte:NA