Nelsinho se cala após viver “dia para se esquecer”

O primeiro final de semana de Nelsinho Piquet na F-1 dificilmente poderia ter sido pior. Apesar de não gostar das comparações com o pai, Nelson, impossível não fazê-las.

Depois de enfrentar problemas nos treinos livres, Nelsinho classificou-se em 21º no sábado. Coincidentemente a mesma posição de largada de seu pai em sua estréia na categoria, na temporada de 78.

Neste domingo, envolveu-se em um acidente logo na largada e danificou seu Renault. O brasileiro ainda conseguiu correr até a 31ª volta, mas abandonou. Outra vez, nova coincidência. Nelson também não completou sua primeira corrida na categoria. A diferença é que teve problemas com o propulsor.

Depois da corrida, a Renault informou que o piloto não falaria com a imprensa. "Foi uma decisão de comum acordo com ele e a equipe para que ele não se exponha", afirmou Marie Hirth, assessora da equipe.

"Fizemos a mesma coisa com o Heikki Kovalainen no ano passado", completou ela, sobre o ex-piloto do time, que assim como Nelsinho fez uma estréia desastrosa na F-1 em 2007.

Segundo a imprensa finlandesa, porém, Kovalainen conversou por cerca de 20 minutos com repórteres de seu país após o GP do ano passado.
Algum tempo depois, Nelsinho apareceu no paddock e disse que não falaria. "A equipe não quer que eu fale", afirmou.

Foi através do comunicado distribuído pela Renault que vieram algumas palavras do estreante. "Fiz uma boa largada e consegui ganhar alguns lugares na primeira volta. Infelizmente bateram em mim na largada, meu carro ficou danificado e não consegui completar o meu primeiro GP", disse, de acordo com a escuderia.

"Claro que estou desapontado, mas aprendi muito neste final de semana e não vejo a hora de ir para a Malásia para continuar meu aprendizado. Espero conseguir um melhor resultado. Já conheço o circuito, então deve ser mais fácil."

Flavio Briatore, chefe da Renault e que no ano passado havia dito que o desempenho de Kovalainen fora um lixo, não poupou Nelsinho. "Foi um dia para se esquecer", disse. "Mas tenho certeza que foi um aprendizado para ele e tenho confiança que ele vai conseguir melhores resultados."

Barrichello
Dos três brasileiros que disputam o Mundial deste ano, Rubens Barrichello é o que está na pior equipe. Porém, foi do piloto da Honda o melhor desempenho do trio, apesar da desclassificação após a prova.

"Estou chateado. Poderíamos ter conseguido pelo menos seis pontos, mas temos que olhar pelo lado positivo e ver que o carro estava muito bom", disse Barrichello.

O piloto, que largou em décimo, na segunda volta já era o sétimo, logo à frente de Kimi Raikkonen. O que parecia uma situação passageira, porém, manteve-se por 18 voltas, até que o campeão conseguiu a ultrapassagem.

O momento decisivo, porém, ocorreu na 45ª volta, quando Barrichello foi aos boxes. Aí vieram os erros. Primeiro o brasileiro entrou com o safety car na pista _o que lhe rendeu um "stop and go" de dez segundos. "Estava numa situação que não sabia se teria gasolina para mais uma volta", explicou ele.

No reabastecimento, foi liberado para sair antes que a mangueira de gasolina fosse retirada e arrancou levando mangueira e mecânico junto.
Na hora de voltar à pista, ele saiu com o farol vermelho e foi excluído. "Nunca veria a luz. É impossível ver."

Fonte Uol.