Opcionais deixam modelo popular com preço de ‘carrão’

Veículos recheados de equipamentos extras existem só nos catálogos.
Você compraria um Gol 1.6 por R$ 48.850 ou um Punto 1.4 por R$ 59.121?
Você sabia que os carros testados durante a maioria dos eventos de apresentação dos lançamentos das montadoras brasileiras dificilmente serão vistos nas ruas? Isso porque os modelos que as fábricas disponibilizam para o test-drive são equipados com todos os opcionais, que elevam o preço final a um valor de mercado impraticável e faz com que esses carros, muitas vezes, existam apenas em catálogo e nas próprias frotas das montadoras.
Afinal, dificilmente alguém pagaria R$ 48.850 em um Volkswagen Gol 1.6, mesmo que o hatch esteja equipado com freios ABS, computador de bordo, airbag duplo, rádio CD Player com Bluetooth e rodas de liga leve de 15 polegadas.
Por quase o mesmo preço (R$ 49.770), por exemplo, é possível levar para a garagem o Polo, hatch premium da própria marca, que entrega mais status, acabamento e conforto. Entre as duas configurações feitas pelo site da VW, o Polo só não tem rodas de liga leve, mas compensa com sensor de estacionamento, opcional indisponível no Gol.
O que dizer, então, de desembolsar R$ 52.410 pela veterana Parati 1.6? Isso mesmo, a perua que ainda não foi reestilizada e deriva da antiga geração do Gol, com motor longitudinal e acabamento espartano, pode custar praticamente o mesmo preço da versão de entrada da Renault Mégane Grand Tour 1.6 16V (a partir de R$ 53.840).
Os opcionais do modelo da VW são a cor metálica, trio elétrico, alarme com controle remoto, freios ABS e rádio CD Player com Bluetooth e só (o airbag não está disponível). Já a perua de origem francesa vem com o airbag duplo, direção elétrica, freios ABS com EBD (distribuição eletrônica de frenagem) e tem muito mais conforto e status.
Outro exemplo de “carro de catálogo” é o Punto ELX 1.4 (preço inicial de R$ 42.166), que equipado com todos os equipamentos disponíveis – com destaque para o teto solar elétrico Skydome (R$ 5.363), bancos revestidos parcialmente de couro bicolor (R$ 1.901) e sistema de comando de voz Bluetooth, airbag duplo, volante multifuncional e freios ABS (R$ 3.961) – chega a estratosféricos R$ 59.121. Por volta desse valor, por exemplo, pode-se comprar um Toyota Corolla XLi 1.8 (R$ 58.513) e ainda sobra um troco.
Mas ninguém supera o caso de outra veterana do mercado brasileiro. A Blazer Executive equipada com o motor 2.8 turbodiesel e tração 4×4, com o único opcional da cor perolizada Azul Asthenes (R$ 1.874), é cotada no site da montadora por R$ 138.893. O Mitsubishi Pajero Sport HPE 3.5 4×4 com câmbio automático tem preço sugerido de R$ 109.010. Ou seja, cerca de R$ 30 mil mais em conta. Mesmo não sendo por culpa dos opcionais, a Blazer Executive 2.8 turbodiesel é uma legítima representante desses que são os modelos “moscas brancas” da indústria automobilística brasileira.