Personal Car

De olho em clientes sem tempo, conhecimento ou paciência para lidar com o carro, algumas empresas ou consultores particulares passaram a oferecer ajuda para resolver diversos problemas relacionados a veículos. Chamados de personal car ou consultores automotivos, eles poupam os clientes de se enrolarem com orçamentos caros e serviços desnecessários.

A Personal Car Minas, de Belo Horizonte (MG), já nasceu com essa finalidade. Fundada por Valter Carvalho, a empresa começou oferecendo só o serviço de leva e traz (40 reais) e de assessoria na manutenção do veículo (120 reais). “A ideia surgiu há cinco anos, quando vi a deficiência dos profissionais que cuidam de orçamentos de frotistas. Esses valores eram muito altos e autorizados sem questionamento. Como eu já prestava orientação a alguns clientes, resolvi abrir minha empresa para atender esse mercado”, disse Carvalho.

Foi quase o mesmo caminho trilhado por Eduardo Baptista Tullentini, da Officina Consultoria Automotiva, de Campinas (SP), criada em 2002. “Eu só tinha tempo de mexer no meu carro nos fins de semana. Sou apaixonado por automóveis. Um dia uma amiga se separou do marido e não sabia o que fazer com seu carro. Eu consegui consertá-lo no mesmo dia. Era um serviço que levaria numa oficina ao menos quatro dias. Ela gostou tanto que eu percebi que havia um mercado carente”, afirma Tullentini.

Segundo Carvalho, a carência desse mercado se agrava pelo modo como concessionárias e oficinas funcionam. “Tudo isso é resultado de altas metas impostas pelas autorizadas, obrigando os funcionários a garantirem o faturamento mensal. Se a meta do dia é vender 10 000 reais, tanto faz se entram 30 ou 15 veículos. A meta tem de ser batida”, diz ele com conhecimento de causa, pois já foi de mecânico a supervisor de pós-vendas em concessionárias. Para atingir a meta, as oficinas trabalham com os chamados serviços agregados, como limpeza de bico, descarbonização, higienização de ar-condicionado etc. “Eles são empurrados aos clientes, em muitos casos sem a menor necessidade”, diz.

O modelo de negócio varia. A Personal Car Minas vende a assessoria, a preço fixo, e não se envolve na execução do serviço, o que ajuda Carvalho a ganhar a confiança do cliente. “Mostro meu conhecimento e experiência profissional e deixo-o à vontade para contratar ou não o serviço. Muitos nos procuram por indicação, o que elimina a desconfiança. O custo é baixo em relação à economia e à comodidade. Mesmo pagando pelo meu serviço, os clientes economizam de 30% a 40%.”

Orçamento camarada
Já o personal car Cid Nunes de Souza, do Rio de Janeiro, cobra uma diária de 300 reais. “Nunca marco mais de um cliente por dia. Dou a cada um toda a atenção de que ele precisar. Também não tenho vínculo com oficina nenhuma, meu serviço é muito transparente.”

A professora universitária Carina Ribeiro Rios, 36 anos, só tem elogios a esse tipo de serviço. “Cheguei a ter redução de 76% no valor de um dos orçamentos. A concessionária pediu 2 500 reais pela revisão e a consultoria baixou para 600 reais.” Carina também aponta a neutralidade como outro fator de confiança. “Como posso pedir ajuda a uma segunda oficina se eles podem ter interesse em fazer o serviço?”

José Antônio Ribeiro Gomes, da Confia Personal Car, de Itajubá (MG), trabalha de modo diferente. “Como a cidade é pequena, eu cobro 20 reais pelos meus serviços, que vão desde buscar o carro para lavar e abastecer até acompanhá-lo em uma revisão.” Seria um custo muito baixo, mas ele ganha de outras formas. “Uma parte do que o cliente gasta no conserto é repassada para mim como comissão”, diz ele, que não revela o valor, mas que o mercado considera ser normal algo em torno de 10%. Isso poderia levar o cliente a desconfiar do serviço, mas o empresário garante que todos saem ganhando. “Eu brigo pelo cliente junto às oficinas, cuido do orçamento, e meu preço é sempre menor que o que ele conseguiria em qualquer outro lugar. O cliente ganha pelo custo mais baixo, a oficina ganha pelo fluxo de clientes que eu levo e eu ganho com a comissão”, afirma Gomes.

Tullentini tem outra forma de cobrança: por hora de trabalho. “Uma oficina cobra em média 60 reais. Uma concessionária, uns 120 reais. Eu fico no meio-termo: 90 reais, o que compensa, já que minhas oficinas credenciadas passam meus clientes na frente, reduzindo o tempo de conserto.” Outra vantagem é que essa rede credenciada permite encontrar um orçamento mais baixo.

Parte das empresas ainda oferece consultoria na compra de automóveis, novos ou usados. “O cliente nos informa que veículo quer, nós procuramos e informamos onde está o menor preço. O serviço custa 120 reais. Também cotamos valor de seguro [40 reais] e de pneus e acessórios [sem custo]”, diz Carvalho.

Checagem das peças
E se o carro já está na oficina e deu problema, o que fazer? Eles entram em ação. “Se o orçamento estiver pronto, vamos lá conferir se as peças e serviços discriminados no orçamento são necessários”, afirma Carvalho. “Nós tanto retiramos os itens inúteis da lista como acrescentamos os necessários. Feitos os ajustes, caberá ao cliente autorizar o novo orçamento.” Os consultores também conferem se as peças autorizadas foram trocadas ou se são da mesma marca que foi cobrada. Em alguns casos, os consultores automotivos são acionados até em reparos feitos via seguradora. “Bati o carro em dezembro e acionei o seguro. Na concessionária, não fiquei satisfeita com o atendimento que tive”, diz a estatística Isabella Fernandes de Oliveira, 23 anos, de Belo Horizonte (MG). “Após duas semanas na oficina, eu não sabia que serviços seriam feitos, quais peças seriam trocadas, quanto tempo levaria.” Depois que seu personal car entrou em ação, o serviço andou e tudo se resolveu. “Peguei o carro 20 dias antes do prazo e com certeza de 100% da qualidade do serviço.”

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CLÁSSICO COM CARINHO

O serviço de personal car não se destina apenas a veículos comuns. A Garage, fundada em 2005 em São Paulo, oferece a mesma linha de cuidados especiais, mas só para carros clássicos. Por 300 reais ao mês, a empresa comandada por Guilherme Franco hospeda, lava, cuida e dá a partida em seu antigo de estimação. “Nossa proposta é cuidar de automóveis de colecionadores que não têm espaço nem tempo para mantê-los em ordem. Conservamos os carros limpos, calibrados, funcionando e encerados, sempre prontos para serem usufruídos, nos moldes de uma marina para barcos”, diz Franco. “E, quando é detectada a necessidade de manutenção mecânica, avisamos o proprietário, que pode levar o carro a seu mecânico ou a um indicado por nós. Também orientamos para obtenção de placa preta e compra de veículos antigos.” Ciente do xodó que essas raridades provocam, a empresa já pretende inovar. “Vamos instalar câmeras de vídeo para que os clientes possam ver seus carros pela internet.”
Fonte:4rodas.com.br