Quanto mais, melhor

Câmbios com oito ou mais marchas podem vir a se tornar o padrão na indústria. Tudo pela economia.

Qualquer recurso que contribua para a redução do consumo de combustível dos veículos é recebido com tapete vermelho pela indústria. Não por outra razão, as fábricas estão voltando a atenção para os sistemas de câmbio automáticos com número cada vez maior de marchas. Os mais recentes sistemas já somam oito marchas. E a tendência é que essa conta não pare por aí. A fé que move as fábricas é a possibilidade de aproveitar melhor a eficiência dos motores, por meio do maior escalonamento da transmissão.

A primeira a apresentar um sistema automático de oito marchas foi a japonesa Aisin, no fim de 2006, a bordo do Lexus LS460. O objetivo declarado da parceria, no entanto, não era a redução do consumo e sim o aumento do desempenho, algo mais relevante no segmento em que o LS460 é vendido. A economia veio como benefício secundário.

A alemã ZF, que também desenvolveu um câmbio automático com oito marchas (apresentando seu sistema seis meses depois da Aisin), pensou em obter vantagens em relação ao consumo, mas só decidiu aumentar o número de marchas em um segundo momento. "Nossa intenção era colaborar na redução do consumo e das emissões", diz o engenheiro Michel Paul, vice-presidente de tecnologia da ZF. "O número de marchas de que precisaríamos para isso não era nossa principal preocupação", afirma. Durante o trabalho, os alemães perceberam que, ao longo da história, cada vez que se acrescentava uma marcha aos sistemas de câmbio automáticos, conseguia-se uma redução no consumo (veja o quadro ao lado).

"O maior ganho de consumo ou de desempenho depende da calibração da transmissão", diz o professor da FEI Marco Barreto. "Embora um benefício acabe ocorrendo nas duas áreas, um compromisso não está relacionado ao outro", afirma.

Aumentar o número de marchas na caixa não é uma operação simples. O acréscimo de peças pode aumentar o peso e também as perdas mecânicas da transmissão. Mas o resultado obtido pela Aisin e pela ZF deixou todos otimistas, o que leva a acreditar que, se a tecnologia permitir, mais marchas ainda poderão ser acrescentadas às caixas automáticas.

Vantagens
Maior escalonamento
Menor perda de força entre as trocas
Melhor desempenho
Maior economia
Menos ruído e vibração

Desvantagens
Maior peso
Maior espaço ocupado pela caixa
Maiores perdas mecânicas

Relações sem fim

O câmbio CVT (continuamente variável) é capaz de variar as relações de marchas infinitamente. Mas seu custo é muito elevado, o que torna sua aplicação reduzida. Esse sistema surgiu nos anos 50 e seu funcionamento se baseia em duas polias, ligadas por uma correia, que variam de tamanho definindo infinitas relações de marchas. Nos primórdios, seu ponto fraco estava na correia, que era feita de borracha. Atualmente, esse problema de resistência foi resolvido com correias de aço.

Evolução em marcha

Economia com o acréscimo de marcha a partir do câmbio de 3 marchas
4 marchas – 6%
5 marchas – 8%
6 marchas – 13%
7 marchas – 16%
8 marchas – 21%

Fonte: Quatro Rodas