Renault Mégane Cabriolet

Vento a favor: A Renault estuda trazer a versão Cabriolet para aumentar a linha Mégane e deixar a família mais bonita na foto

Quem esteve no estande da Renault no último Salão do Automóvel, realizado em outubro de 2006, já conhece, pelo menos de vista, este Mégane. E ele não estava lá apenas como peça de decoração. Entre os visitantes que admiravam as linhas do Cabriolet, estava um grupo de proprietários de modelos semelhantes a ele (Audi A4 Cabriolet, BMW 325i Cabriolet, Peugeot 307 CC e Mercedes-Benz SLK), selecionado por um instituto de pesquisa. Com direito a questionário e tudo o mais, o objetivo da operação era nortear a diretoria da filial brasileira sobre uma possível comercialização do modelo no Brasil.

O povo disse "sim". Pelo que a Renault ouviu dos entrevistados, o Mégane Cabriolet (na Europa ele atente pelo nome de Coupé Cabriolet) tem boas chances de ser vendido por aqui. E, enquanto você lê esta reportagem, a montadora está empenhada em superar dois obstáculos. O primeiro é tropicalizar o motor 2.0 16V, importado da França. O outro é acertar a suspensão. E, mesmo com a carroceria tendo o nível de rigidez torcional da do sedã – a estrutura do Cabriolet ganhou reforços nas colunas do párabrisa, nas laterais e nas soleiras das portas, totalizando quase 60 quilos a mais de aço -, os engenheiros sabem que um teto rígido e escamoteável é mais suscetível a ruídos e vibrações com o passar dos anos. Por isso, a suspensão deve estar muito bem calibrada, principalmente na absorção dos impactos, para minimizar esse tipo de desgaste.

Telhado de vidro
O carro em que nós andamos ainda não tinha recebido nenhuma dessas adaptações. Seu interior é basicamente o mesmo do Mégane: painel, volante, comandos da coluna, console, rádio, revestimento das portas… é tudo familiar. As diferenças começam na grafia dos mostradores, mais moderna, e na iluminação, branca em vez do laranja que habita o painel dos modelos nacionais. Olhe para o console onde fica o manche que faz o papel de alavanca de freio de mão. Ali estão duas teclas: uma para abrir e fechar todos os vidros de uma só vez e outra que comanda o mecanismo de recolhimento do teto transparente. Esse conjunto é produzido pela Karmann – a mesma empresa que fornecia as carrocerias dos Karmann Ghia para a Volkswagen nas décadas de 60 e 70 – e responsável por tornar o cupê um conversível. O processo de abertura é todo automático. Não há travas manuais na carroceria e a seqüência leva 22 segundos. Um sinal sonoro indica o fim do processo, tanto para abrir quanto para fechar.

Mas voltemos ao interior. Com relação aos demais modelos Mégane, os bancos dianteiros do Cabriolet foram rebaixados em cerca de 24 milímetros. Isso foi feito para oferecer posição de dirigir mais esportiva. E o truque funcionou. Os bancos traseiros acomodam confortavelmente duas crianças, e só. Já os adultos não vão achar a mesma graça. Dois arcos de segurança protegem os passageiros em caso de capotamento. Num primeiro olhar, parecem os apoios de cabeça. Mas, em caso de perigo iminente, eles disparam e sobem 13 centímetros, trabalhando como santantônio – e, segundo o manual, podem ser acionados até em uma estrada com curvas sinuosas. O porta-malas é uma surpresa. Leva 490 litros, desde que a capota não esteja recolhida. Na opção conversível, a capacidade cai para 190 litros

As linhas do carro são um espetáculo, não há quem não vire a cabeça. A frente é idêntica à do Mégane europeu, que já está na chamada Fase II – que nada mais é que um leve face-lift no meio da vida útil do carro. Em relação ao nosso, ele ganhou retoques na grade, faróis e pára-choques. O teto de vidro, como já dissemos, foi desenhado e é produzido pela Karmann, na Alemanha. E o povo do design da Renault ficou com a incumbência de desenhar a parte traseira do Cabriolet.

Rodas menores
Para o Brasil, o Cabriolet deverá vir como topo-de-linha, lotado de equipamentos – e pode incluir bancos de couro e disqueteira nessa lista. Além do motor 2.0 16V, ele terá o câmbio automático seqüencial, idêntico ao das versões Dynamique do Mégane. A marca justifica a ausência da caixa manual pelas vendas da versão top do sedã, que na sua maioria saem com o automático. "O Cabriolet é para esse público e para um mais exigente ainda", afirma Alexandre Vetorazzi, gerente de marketing da Renault do Brasil.

Na Europa, o Cabriolet custa cerca de 25 000 euros. Fazendo as contas, são quase 75 000 reais. Somando-se os impostos de importação, pode-se esperar algo na casa dos 140 000 reais para o Mégane. Esse também é o preço de seu principal rival por aqui, o 307 CC, que custa 145000 reais.

Assim como seu concorrente, o Cabriolet não tem desempenho excepcional. Apesar do apelo esportivo, ele é mais próprio para desfilar a céu aberto. A suspensão do modelo que avaliamos, mesmo sem a tropicalização, se comportou bem, ainda que em pisos desfavoráveis. Mas, no Cabriolet que poderá ser vendido aqui, as rodas aro 17 devem ser substituídas por outras com 1 polegada a menos e os pneus terão perfil mais alto. Culpa de nossas estradas. A preocupação da Renault com os ruídos e vibrações internas tem fundamento. A versão em que andamos estava um pouco ruidosa. Mas nada que uma capota aberta não resolva.

fonte: Quatro Rodas