Ruim para a McLaren, bom para a F-1

Fernando Alonso termina a temporada da mesma forma como a iniciou. Ou seja, nas manchetes esportivas de todo o mundo. Deixou a escuderia anglo-germânica e causa um rebuliço na F-1, com várias equipes dependendo a sua decisão para formarem seus quadros de pilotos. Não importa se irá para Renault, Red Bull, Toyota ou Williams, o certo é que levará consigo o estigma de ser o mais competente piloto para desenvolver os carros da Fórmula 1 atual. E o melhor, reforçará outra equipe, trazendo para 2008 uma nova força para brigar contra Ferrari, McLaren e a emergente BMW.

Alonso é um piloto diferenciado. Foi quem fechou a era Schumacher, alçando-se a grande vedete da F-1 há três temporadas. Neste ano, aceitou e venceu o desafio de tornar o McLaren MP4-22 um carro competitivo. Tão acertado que fez a felicidade de Lewis Hamilton e tornou-se o protótipo mais efetivo do ano. Marcou um total de 218 pontos, 12 a mais do que as Ferrari e só não foi declarado Campeão dos Construtores por que a McLaren teve os pontos cassados por espionar a concorrente.

Outra característica de Alonso é a personalidade forte Mesmo vivendo à turras com o chefão Ron Dennis dentro da escuderia, Alonso fechou o ano empatado em 109 pontos com Hamilton, 1 do campeão Kimi Raikkonen, e só perdeu o vice-campeonato no critério de segundos lugares.

Alonso nunca fez segredo do mau-ambiente que viveu dentro da McLaren, desde que exigiu o privilégio de primeiro piloto. Disparou várias vezes contra Ron Dennis, acusando o chefão de fazer tudo errado desde a segunda metade do campeonato. Denunciou que foi preterido em favor de Lewis Hamilton e que nas últimas corridas competiu de "mãos atadas".

A revolta do asturiano, por ter perdido um tricampeonato que esteve muito perto de conquistar, levou-o a outra vitória dificil, levando-se em conta que o oponente era Ron Dennis: a de romper o contrato com a McLaren sem pagar um centavo de multa. Uma decisão tomada durante o GP da China, por dois fortes motivos. O primeiro por presenciar o apelo de representante da FIA, para que a McLaren não concretizasse as comemorações preparadas para a conquista antecipada do título por Lewis Hamilton. E a segunda razão para o rompimento, foi a declaração de Ron Dennis de que a McLaren competiria naquela corrida mais contra Alonso do que para derrotar Kim Raikkonen.

Indignado, o asturiano decidiu sair da escuderia, mas antes tomou atitudes que embaraçaram a ex-equipe. A mais estranha foi "sugerir" a Federação Espanhola uma fiscalização no boxe da McLaren GP do Brasil, para assegurar a igualdade de tratamento entre ele e Hamilton. A FIA designou um comissário que teve acesso a todo desenvolvimento da prova, inclusive o livre acesso à telemetria e o diálogo entre os engenheiros e pilotos, durante a corrida.

Agora, esse asturiano vai enfrentar o seu maior desafio na F-1. Qualquer equipe que contrate as suas habilidades vai esperar que ele repita os ótimos serviços que prestou à Renault e à McLaren. Ou seja, desenvolver um carro campeão.

Um desafio dificil, mas que Alonso assume com convicção – além de, no mínimo, US$ 35 milhões anuais – e que poderá ter desdobramentos interessantes. Se ele chegar ao sucesso na nova equipe, estará apenas ratificando o seu talento. Porém, se a McLaren sentir a sua falta, Alonso terá outras duas vitórias pessoais; a de que foi o pai do MP4-22 e provar que é melhor do que Lewis Hamilton. O que lhe fará muito bem ao bolso e ao ego.

fonte: Quatro Rodas