Tido como prodígio no início da carreira, Button supera fase ruim e fatura o título

Inglês dá volta por cima após anos de penúria e bate o brasileiro Rubens Barrichello na disputa pelo Mundial de Pilotos da temporada 2009 da F-1
Ao fim de 2008, qualquer um que apostasse em Jenson Button para o título mundial do ano seguinte seria taxado de louco. O inglês, tido como prodígio no início da carreira na Fórmula 1, acabava de passar pelos dois piores anos de sua carreira com o péssimo carro da Honda. Para piorar, a equipe japonesa, no início de dezembro, tinha anunciado sua saída da categoria, após as temporadas vexaminosas.
Em Interlagos, Jenson Button enfim coroa sua carreira com o título do Mundial de Pilotos da Fórmula 1
O início de 2009 marcou um recomeço para o inglês. Ross Brawn, ex-diretor-técnico da Ferrari e antigo chefe da Honda, comprou o espólio da equipe japonesa. Com orçamento curto, propôs uma redução drástica para o salário de Jenson Button, com uma compensação por cada ponto conquistado. A proposta foi prontamente aceita pelo inglês, que iniciou sua trajetória rumo ao título deste ano com seis vitórias nos sete primeiros GPs.
A conquista em 2009 serviu para coroar a carreira do prodígio britânico. Jenson Alexander Lyons Button nasceu em 19 de janeiro de 1980 na cidade inglesa de Frome, no sudoeste da Inglaterra. Filho de John Button, ex-piloto de rallycross, ele se interessou pelo automobilismo desde a infância. Aos oito anos, começou no kart e três anos depois conquistou seu primeiro título: o campeonato britânico na classe cadete. Ele venceu todas as 34 corridas da temporada. Em 1997, se tornou o mais jovem a vencer o Europeu da categoria Super A e ganhou a Ayrton Senna Memorial Cup.
Aos 18 anos, Button venceu a Fórmula Ford Britânica na equipe Haywood Racing, com nove vitórias no ano. Ele também triunfou no festival da categoria, em Brands Hatch. No fim de 1998, levou o prêmio de melhor piloto jovem do ano, oferecido pela revista inglesa “Autosport” e pela McLaren. Como recompensa, pôde testar um carro da equipe inglesa de Fórmula 1 no fim daquele ano. Em 1999, estreou na Fórmula 3 Inglesa, na equipe Promatecme. Com três vitórias, em Thruxton, Pembrey e Silverstone, ele foi eleito o melhor estreante do ano e terminou a temporada em terceiro, atrás apenas de Marc Hynes e Luciano Burti.
Após este teste com a McLaren, Button ainda andou com o carro da Prost e participou de um duelo com o brasileiro Bruno Junqueira por uma vaga na Williams. Sua nacionalidade pesou e ele venceu a disputa, estreando na Fórmula 1 em 2000, ao lado de Ralf Schumacher. O inglês terminou o campeonato em quinto, após cometer vários erros, como bater durante uma entrada do safety car em Monza. Ele foi superado pelo companheiro alemão, muito mais experiente.
No fim de 2001, Button foi emprestado para a Benetton pela Williams. O inglês conseguiu apenas um quinto lugar no GP da Alemanha, em Hockenheim. Ele terminou o ano apenas em 17º no Mundial de Pilotos. No ano seguinte, a equipe passou a se chamar Renault e ele teve o italiano Jarno Trulli como companheiro. Ele perdeu um lugar no pódio do GP da Malásia ao ser ultrapassado por Michael Schumacher na última volta e conseguiu outro quarto lugar no Brasil. No fim de 2002, conseguiu a sétima posição na temporada.

Jenson Button estreou na F-1 pela Williams

Só que Button perdeu a vaga para 2003 após Flavio Briatore, então chefe da Renault, trocar o inglês pelo espanhol Fernando Alonso, que acabaria bicampeão do mundo em 2005 e 2006. Ele acabou contratado pela BAR, ao lado do canadense Jacques Villeneuve. O inglês começou o ano melhor, mas sofreu um forte acidente em Mônaco, onde não correu. Ele acabou por liderar sua primeira volta na Fórmula 1 no GP dos EUA, em Indianápolis e terminou o ano em nono, com 17 pontos.

No ano seguinte, o inglês evoluiu e ajudou a BAR a chegar na segunda posição do Mundial de Construtores. A primeira vitória, no entanto, teimava em não chegar. A pole inaugural veio em San Marino e ele conseguiu 85 pontos no fim de 2004, na terceira posição do campeonato. Apesar do bom desempenho, Button anunciou em agosto daquele ano que tinha assinado com a Williams. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) determinou, no entanto, que ele teria de ficar na BAR em 2005.
No entanto, o ano começou ruim pela BAR, quando a equipe foi desclassificada do GP de San Marino por ter um segundo tanque de combustível no carro. O time ficou mais duas corridas suspenso e ele estreou como comentarista em Mônaco, pela rede de TV inglesa ITV. No Canadá, ele marcou a segunda pole da carreira e conseguiu um pódio no GP da Alemanha. No fim do ano, ele se meteu em outro problema contratual. Ele comprou seu acordo com a Williams por US$ 30 milhões e continuou no time, que mudou de nome após a compra pela Honda.
Em 2006, Button teve Rubens Barrichello como companheiro de equipe na Honda e conseguiu sua primeira vitória, no GP da Hungria, debaixo de chuva. Ele foi o primeiro britânico a vencer desde David Coulthard, em março de 2003. Nas últimas seis corridas do ano, ele marcou mais pontos do que qualquer outro piloto naquele ano e conseguiu um pódio no GP do Brasil, última corrida do ano.

Nos dois anos seguintes, em 2007 e 2008, o inglês sofreu com dois carros muito ruins da Honda, o RA107 e o RA108, respectivamente. Ele só conseguiu nove pontos nestas duas temporadas. Em 2008, em especial, Button foi amplamente superado pelo companheiro Rubens Barrichello, que até conseguiu um pódio no GP da Inglaterra.

Fonte: globo.com