Nissan informa que desgaste prematuro do tanque é culpa do combustível

Matéria do repórter Pedro Cerqueira do Estado de Minas revela que Nissan transfere a responsabilidade por problema no tanque de combustível. “Eu encaro isso como algo muito grave, de uma irresponsabilidade sem tamanho. Vai morrer gente e a Nissan nem disponibiliza uma alternativa, um tanque de plástico, para nós mesmos resolvermos o assunto”.

O desabafo é do arquiteto Silvio Roberto Silva, do Rio de Janeiro (RJ), proprietário de um Nissan X-Terra 2006, que apresenta falhas constantes, chegando mesmo a apagar, comprometendo sua segurança em viagem. Ao parar numa autorizada em Juiz de Fora, região da Zona da Mata, o funcionário que o atendeu nem tocou no carro, disse que o problema era o tanque de combustível, que estava enferrujado.

Esta vem sendo uma reclamação recorrente entre os proprietários de veículos movidos a diesel da Nissan. O empresário Hésio Alvares de Oliveira, do Rio de Janeiro (RJ), conta que o tanque de sua Frontier 2006 também oxidou. Ele mandou limpar o recipiente e trocou o filtro de combustível. Para não ter que conviver com o problema, o empresário também diminuiu o tempo de troca do filtro.

João Batista Silva, caminhoneiro de Jacareí (SP), já sabe como lidar com o problema em sua Frontier 2005. “Quando o carro começa a falhar, eu já encosto e desligo a chave. Depois desligo os cabos da bateria, torno a ligá-los e dou ignição. O veículo volta a funcionar normalmente”, explica. De tanto a picape falhar, ele investiu R$ 570 em um tanque de inox para tentar resolver a questão.

O problema também é comum no X-Terra

O engenheiro Arlindo Costa e Silva, do Rio de Janeiro (RJ), gastou quase R$ 5 mil com a troca do tanque, filtro e bombas de combustível em sua Frontier 2007 quando ela ainda era nova. Mesmo assim, os problemas voltaram e ele reclama da falta de solução, já que o novo tanque enferrujou novamente.

O engenheiro mecânico Elieber Mateus dos Santos, de Itajubá, região sul do Estado, dono de uma Frontier 2006 que apresentou as falhas decorrentes do tanque oxidado, concorda que a troca do recipiente de combustível é apenas uma solução paliativa. “A Nissan poderia ao menos disponibilizar o tanque de plástico para que a gente resolvesse esse problema”, diz Silvio Roberto Silva.

PLÁSTICO
Muitos clientes da Nissan afirmam que a nova geração da Frontier já vem com um tanque feito em plástico, sinal que o fabricante japonês sabe do problema, mas nada fez para solucioná-lo. Perguntada sobre isso, a Nissan fala apenas que “a geração atual da Frontier é um projeto completamente novo, cujas especificações técnicas são diferentes da versão anterior”.

PERIGO
A preocupação dos proprietários que precisam usar o carro é constante. “Eu estava a uns 100km/h numa via expressa, quando minha X-Terra 2006 apresentou falhas e apagou. O freio e a direção perderam eficiência”, relata o engenheiro mecânico Huei Sun, do Rio de Janeiro (RJ). “O motor simplesmente apaga.

Acho um perigo porque o carro fica sem freio e a direção fica dura. Se isso acontecer com uma pessoa com pouca habilidade pode ser fatal”, fala Silvio Roberto Silva. A advogada Maria Edna Carvalho Portinari, do Rio de Janeiro (RJ), afirma que a Frontier 2008 de seu marido também teve a direção e o freio comprometidos quando o veículo apresentou o problema.

NISSAN
De acordo com todos os proprietários ouvidos, a Nissan atribui a culpa ao combustível. A empresa não se interessou em esclarecer o assunto. Disse que “desconhece casos de que resíduos de ferrugem tenham causado o desligamento do motor de algum de seus veículos” e confirmou que “o uso de combustível adulterado, em alguns casos, pode enferrujar o tanque de combustível”.

A empresa conta que garante o bom funcionamento de seus veículos e componentes desde que o combustível utilizado esteja dentro das especificações exigidas pela legislação e, por isso, não se responsabiliza pela utilização de combustível adulterado.

Fábio de Araújo Amaral, do Rio de Janeiro (RJ), comprou uma Frontier 2007 nova. O técnico em prótese dentária ficou apenas um ano com o carro, que apresentou esse e outros problemas. “Eu tinha que carregar sempre comigo um filtro reserva. Acho que o tanque da picape deveria estar preparado para receber nosso combustível”, diz.

Algumas pessoas que passaram pelo mesmo problema foram à Justiça. O advogado Maurício Souza Rocha relata que um cliente, dono de uma Frontier 2008 com o tanque enferrujado, teve a troca do componente em garantia negado pela Nissan. A causa foi levada a um Juizado Especial e a concessionária que vendeu o veículo foi obrigada a ressarcir ao cliente o valor gasto com os reparos do carro.

Maria Portinari conta que estava com a ação pronta para reaver seu prejuízo quando a concessionária ofereceu comprar o carro problemático se a advogada ficasse com o modelo novo e pagasse a diferença.

Fonte: Site Estradas