Coquetel Explosivo

O motor que funciona tanto com gasolina quanto com óleo diesel ainda é devaneio de engenheiro. Mas a Mercedes-Benz apresentou no Salão de Frankfurt uma proposta que chega bem perto desse ideal, pelo menos conceitualmente. Trata-se de um motor a gasolina que pode funcionar de modo clássico, com a queima provocada pela faísca de uma vela (ciclo Otto), e também como um motor a diesel, no qual ocorre a auto-ignição da mistura (ciclo diesel). Seu nome? Diesotto.

Segundo a Mercedes, esse motor pode queimar gasolina, álcool e até mesmo querosene (que resultam em misturas de características semelhantes, mas diferentes das conseguidas com diesel). A vantagem de trabalhar de duas maneiras, Otto e diesel, é reunir o desempenho típico dos motores a gasolina com a economia característica dos motores diesel, com mais potência, torque e menor nível de emissões, nas diferentes condições de operação.

O motor Diesotto foi apresentado a bordo do F700, um sedã de luxo conceitual. Seu deslocamento é pequeno. Ele tem apenas quatro cilindros e 1,8 litro, mas entrega 238 cv de potência e torque de 40,8 mkgf, de acordo com a fábrica. Isso é uma força bem superior à de um V6 3.0 convencional, como o que equipa o novo Mercedes-Benz C 280 com 231 cv e 30,6 mkgf. Segundo a Mercedes, o F700 pode acelerar de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos e atingir os 200 km/h (limitados eletronicamente).

Para alcançar esse rendimento, o Diesotto tem um moderníssimo sistema de gerenciamento eletrônico. Mas a sofisticação não se resume a isso. Ele conta com um motor elétrico, que ajuda nas partidas, e um turbocompressor de dois estágios, para variar a compressão nas câmaras. Além disso, há também um sistema Start-Stop, que liga e desliga o motor automaticamente, no anda-e-pára do trânsito. O motor desliga-se quando o carro fica em marcha lenta e volta a funcionar quando o pedal o acelerador é pressionado.

Por enquanto, esse motor é só um protótipo e não tem data para entrar em produção. Mas a Mercedes já iniciou os testes de campo com ele, o que leva a crer que seu lançamento comercial não está distante.

MEIO A MEIO
O desejo de construir um motor que consiga ignição por meio de faísca e também por compressão vem dos anos 50, quando um engenheiro chamado Alperstein criou um motor monocilíndrico a diesel que queimava hexano e ar misturados fora da câmara. Recentemente, VW, Honda, Ford e GM também desenvolveram motores com esse conceito, conhecidos por HCCI, de Homogeneous Charge Compression Ignition – ou ignição por compressão de carga homogênea. São chamados assim pois sua queima não ocorre em um determinado ponto da câmara de combustão, como nos diesel, mas de maneira uniforme.

OLHO VIVO
O motor Diesotto foi introduzido no carro-conceito F700, um sedã futurista com 5,17 metros de comprimento e 3,45 metros de entreeixos, que trazia outras novidades, como o Pre-Scan. Esse sistema consiste em dois scanners a laser, instalados na parte dianteira do carro, que analisam as condições da via e permitem que a suspensão seja acionada antecipadamente, melhorando o conforto a bordo.

Fonte: Quatro Rodas