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Entenda o que é um ‘recall branco’ e saiba como agir

Comprar um veículo novo para evitar dor de cabeça. Esse é o pensamento da maioria dos consumidores que optam por um zero quilômetro. Mas ninguém conta com um fator que vem se tornando frequente no Brasil: o defeito de fábrica. Neste ano, mais de 2 milhões de veículos foram chamados novamente às redes autorizadas.

Mas quando o problema não afeta a segurança ou a integridade física do condutor e passageiros, a convocação dos lançamentos ou de um determinado lote não se trata de um recall para valer, mas sim de um procedimento que a indústria apelidou de “recall branco”. Um exemplo recente é a chamada feita pela Volkswagen dos modelos Gol, Voyage e Fox, equipados com motores 1.0 flexível EA-111.

Segundo a montadora, devido a uma alteração na especificação do óleo do motor dos modelos fabricados a partir de março de 2008, a lubrificação das peças pode ser comprometida, o que causa ruído no propulsor. A convocação, que a marca deu o nome de “campanha de oficina ativa”, visa substituir o óleo lubrificante do motor e ampliar o prazo de garantia dos motores de 3 para 4 anos.

Quem decide se há ou não a necessidade de um recall de verdade é o Ministério Público Federal, por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), já que todos os comunicados e boletins emitidos pelos fabricantes de automóveis devem ser enviados para o órgão, que é responsável por enviar um laudo técnico ordenando o recall e pode até processar a fabricante.

De acordo com o especialista em estratégias empresariais, Marcos Morita, nesses casos a transparência é sempre a melhor política. “O pior recall é aquele que a fabricante espera o problema aparecer para tomar uma decisão, como ocorreu com o Fox em 2008, devido ao risco de mutilação pela argola usada no rebatimento do banco traseiro, e agora com os motores 1.0 da Volkswagen”, diz Morita. “O correto é ao primeiro sinal de defeito, comunicar antecipadamente os clientes”.

Segundo o engenheiro e conselheiro da SAE Brasil (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade), Francisco Satkunas, no caso do recall branco, por não oferecer riscos à segurança, a fabricante não é obrigada a divulgar o problema. “Mesmo que o carro não deixe o motorista na mão, como ocorre nesses casos, a recomendação é procurar uma concessionária da marca”.

Caso o problema seja constatado, as fabricantes divulgam a falha por meio de um boletim eletrônico para as fábricas e a rede de concessionárias dando as descrições do lote com defeito e as orientações sobre como resolvê-lo. A medida visa revisar todos os carros que ainda estão em produção ou aqueles que já estão no pátio, a fim de corrigir o problema antes que as unidades sejam comercializadas.

“No entanto, essas falhas costumam aparecer, em média, com 500 km a 3 mil km rodados”, afirma o engenheiro. “Se o cliente não procurar a concessionária por causa do defeito, quando ele leva o carro à uma autorizada, seja por causa da revisão ou para conserto de uma batida, a loja aproveita para reparar o problema também”.

Caso o defeito apareça depois de vencido o período da garantia, é possível ainda ter o reparo feito sem custo. “É de interesse das montadoras que os clientes fiquem satisfeitos com o veículo e com a marca, por isso vale procurar o atendimento ao consumidor”, diz Satkunas. “Depois de feita a vistoria e se for constada a falha da fabricante, ela geralmente arca com o conserto, ou, às vezes, oferece a peça e o proprietário fica apenas com o custo da instalação”.

Segundo o artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor, a oficina tem 30 dias para resolver o problema quando o veículo estiver no prazo de garantia. Não cumprido este prazo, o cliente pode pedir a troca do veículo, a devolução de valores ou abatimento proporcional do valor pago, caso ele queira trocar por outro produto. Segundo o Procon, é necessário que o proprietário guarde os comprovantes de pagamento do veículo e as ordens de serviço para apresentar na Justiça, caso seja necessário.

Fonte: globo.com

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