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Saiba como superar o medo de dirigir e a escolher o carro certo

Amaxofobia acomete pelo menos 10% dos motoristas habilitados no Brasil. Escolher o veículo correto pode ser uma boa solução.

 

As mãos ficam geladas e as pernas tremem, o suor frio aparece de repente, o coração bate em ritmo descompassado, e logo vem a sensação de pânico e impotência. O medo de críticas e de que algo ruim aconteça muitas vezes toma conta, e sair do lugar é quase uma missão impossível. Se conseguir “é lucro”, se não, “melhor assim”. Deixar a “máquina morrer” e ouvir a orquestra de buzinas? Motivo para pensar em guardar a carteira de motorista na gaveta e não deixa-la sair nunca mais de lá. Parece exagero, mas quem sofre com a Amaxofobia – que é o medo de dirigir – sabe muito bem o quanto isso é incomodo e traz muitos transtornos.

A designer Stefany W. (26) sofreu por muito tempo com esse problema. Ela conta que ao completar 18 anos correu à autoescola para tirar a carteira de habilitação como forma de aproveitar o tempo livre para fazer as aulas, e caso fosse necessário, já teria o documento em mãos. Durante as teóricas e práticas, tudo dentro dos conformes, e ao finaliza-las fez os testes e passou.  Porém, após esse período, ficou sete anos sem pegar no volante. Não ter o veículo próprio e a preferência em pegar táxis fortaleceu ainda mais a situação, que até aquele momento era “normal”. Mas quando teve acesso a um carro… Surpresa nada agradável. “Percebi que já tinha esquecido como se dirigia e também que sentia medo em tentar voltar”, afirma.

Mas apesar do marido sempre incentiva-la a dar algumas voltas com o carro do casal, a designer lembra que a experiência até dava certo, mas sob muito nervosismo, até que um dia decidiu procurar ajuda profissional. “Percebi que não adiantava apenas “tentar dirigir”, pois não se tratava só de falta de experiência. Tive uma fase em que somente em ouvir alguém falar “vamos dirigir?” me deixava com as mãos suadas e com alto grau de estresse. Foi quando decidi procurar ajuda psicológica profissional. Foi a melhor decisão que tomei, pois já nas primeiras sessões percebia que o medo ia diminuindo cada vez mais, e que realmente se tratava de um problema que precisava de tratamento adequado”, explica Stefany.

 

Entendendo as causas e a hora de procurar ajuda

A psicóloga especialista em trânsito da Psicotran Curitiba Salete Coelho Martins explica que sintomas como a sudorese, tremores nas pernas, mãos frias e taquicardia são sinais fisiológicos de que o sinal “vermelho” foi aceso e está na hora de procurar tratamento especializado. Para se ter ideia do tamanho do problema, no período entre 2009 e 2014, cerca de 480 pessoas procuraram auxílio para perder o medo de dirigir, sendo 93% dos atendimentos realizados para mulher e 7% para o público masculino, na faixa dos 28 aos 54 anos.

Já com relação aos perfis, a especialista afirma que pessoas perfeccionistas, com alta sensibilidade a críticas e muito exigentes são as que mais sofrem com o distúrbio, podendo sofrer consequências em outros setores da vida pessoal como no trabalho e relacionamentos. “Pessoas com esse perfil tem dificuldade de aceitar erros e não se permitem errar também, por isso sofrem muito caso um imprevisto aconteça e que possa colocar em julgamento sua competência”. Mas saiba que se este for o seu caso, sessões de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem eficácia comprovada cientificamente e ajudam muito a solucionar a Amaxofobia.

Medo de dirigir acomete pelo menos 10% da população brasileira, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Medicina no Trânsito. Crédito da Imagem: Juliano Pedrozo/ Detran.
Medo de dirigir acomete pelo menos 10% dos motoristas habilitados no Brasil, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Medicina no Trânsito. Crédito da Imagem: Juliano Pedrozo/ Detran.

Apesar de ser “caso a caso”, o tratamento pode variar entre duas semanas a oito meses. Stefany, que passou por essas sessões durante dois meses, conta que é gradativo e tudo começa ainda na sala da psicóloga para só depois ir ao carro. “Cada sessão é feita com muita tranquilidade, para que você possa ir se adaptando e perdendo o medo, primeiro tirando o carro da garagem, depois dando uma volta na quadra, até chegar a trajetos mais longos. É um passo-a-passo onde nenhuma etapa é pulada. No total, foram aproximadamente dois meses de tratamento, que foram capazes de me ajudar para a vida toda”, relata.

Outro fator importante na recuperação dos traumas é o auxílio familiar, principalmente na identificação da fobia. De acordo com Salete, os primeiros passos, além da paciência, devem ser os de buscar informações e auxílio de alguém especializado no assunto. A falta de experiência pode piorar a situação e o vínculo familiar junto com a superproteção em alguns casos podem ser ainda mais prejudiciais.

“Quando a pessoa tem medo pode “travar” diante de uma situação que reconheça como ameaçadora ou ter outra reação que requer intervenção terapêutica para evitar danos emocionais mais graves. A família ou mesmo quem sente o medo de dirigir deve reconhecer esse comportamento como um transtorno psicológico que requer ajuda especializada. Temos muitos casos no consultório onde familiares são convidados para sessões a fim de compreender e poder participar da superação de forma adequada e eficaz”. Questionada sobre o que significava a palavra “dirigir” antes do tratamento e hoje em dia, Stefany é direta: “Antes era sinônimo de medo, agora é sinônimo de liberdade!”.

 

Como escolher o melhor veículo para perder o medo de dirigir

Câmbio manual ou automático? Direção Hidráulica ou “comum”? Qual a quantidade de acessórios, eles interferem em alguma coisa? E a carroceria, importa? Essas são algumas das dúvidas mais comuns de quem está aprendendo a dirigir ou tem medo de encarar a direção de um automóvel. A resposta para todas essas perguntas é sim, quanto mais auxílio da tecnologia, mais fácil é de superar a fobia. De acordo com a psicóloga especializada em trânsito da Clínica Psicotran de Curitiba, os carros automáticos são grandes aliados no caso de quem tem medo de perder o controle em rampas, por exemplo.

Porém, o grande problema é que nas autoescolas não é permitido o uso de automáticos, uma vez que o condutor deve aprender a trocas de marchas. É ai que a grande vilã da história aparece novamente e faz com que muitos motoristas pensem que a fobia é na verdade “falta de praticar”. Por isso é muito importante saber escolher o tipo de veículo que mais se adequa ao perfil de cada um. Salete relata que normalmente quem tem esse tipo de transtorno psicológico opta por veículos com carrocerias menores, justamente por perceberem de forma diferente a dimensão do carro de quem não apresenta a amaxofobia.

“Geralmente elas sentem o veículo maior do que é enquanto passageiros se assustam com facilidade por que interpretam situações como de risco, por isso ficam pressionado o pé como se estivessem freando”, comenta a profissional. Outro ponto importantíssimo que deve ser ressaltado é o comportamento do lojista em relação ao cliente. A dica da especialista é de não se deve insistir para fazer o test-drive, caso contrário, pode significar stress emocional ao possível comprador e representar a perda de vendas à revenda.

“Não insista para fazer teste drive, eles odeiam isso, não se sentem capazes e forçar é como criar um clima desconfortável. Quando a pessoas disser “não quero fazer, prefiro que meu esposo faça”, entenda como “tenho medo de dirigir, não insista”. (Do contrário) pode perder a venda com essa situação que ela entenderá como desafiadora”, orienta.

SC

Já com relação aos adereços e itens, “sinal verde”: estão liberados, inclusive os que já vêm com direção hidráulica, assistente de estacionamento e rampas, e câmbio automático, que segundo Salete, ajuda bastante quem está aprendendo a perder o medo. “Não é necessário escolher o mais básico, apenas um de menor tamanho, mas pode ser completo inclusive com os itens de segurança”. Já depois de comprado, outra dica importante é a de evitar o famoso “carro de garagem”, uma vez que carro parado é sinônimo de desgaste precoce das peças, custo financeiro alto x benefício baixo, além do risco de criar ansiedade, fobia e prejudicar a superação.

Para aqueles que estão tentando a habilitação pela primeira vez psicóloga aconselha: “Conhecer o veículo é uma dica importante. Aprender a controlar o veículo sozinho é também fundamental, além de conhecer a si próprio para controlar a ansiedade de desempenho ou preocupação em ser avaliado (a)”.

 

Serviço:

Quem desejar saber mais sobre o assunto ou procurar tratamento para a Amafoxobia e outros medos, a psicóloga especialista em Psicologia do Trânsito Salete Coelho Martins (CRP 08/4667) atende na Clínica Psicotran. O endereço é a Rua Buenos Aires, 466 – Batel, Curitiba – PR. O telefone é o (41) 3319-4789 e o site é o http://www.psicotran.com.br/.

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