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Brasília: genuinamente brasileira até no nome

Lançada em 1973 no Brasil, carro se tornou um clássico e ganhou até música.

 

 

Clássico da Volkswagen, a Brasília foi lançada em 1973 no Brasil com um nome bem sugestivo e propositalmente escolhido em homenagem à capital brasileira – que na ocasião completava 13 anos de existência -. E adivinhe sobre a carroceria de quem este carro foi produzido? Do Fusca, é claro. Mas diferente do “parente”, este ficou mais espaçoso aos passageiros, ganhou mais vidros e um design bem diferente, apesar de ter ficado apenas dois centímetros menores.

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Outro aspecto positivo da Brasília era seu porta-malas frontal que também tinha mais espaço do que no compacto “fusquinha”, sem falar na motorização que era bem diferente, já que na época os Fuscas vinham equipados com 1300 ou 1500 cm³ e o mais novo lançamento de cara chegou com um 1600 – o mesmo do VW “Zé do Caixão” (1600) e da Variant, que apesar da semelhança “física” diferia em muitas partes deste carro. O hatchback chegou exatamente um mês após a concorrente Chevrolet lançar o Chevette, outro ícone da indústria automotiva brasileira.

Variant: semelhança com a Brasília confunde que não conhece os carros.
Variant: semelhança com a Brasília confunde que não conhece os carros.

 

 Os primeiros modelos eram alimentados por carburação Solex 30 e rendiam 60 cv, situação que só mudou em 76 quando a VW lançou as novas versões com motor 1.6L com duplo carburador Solex 32 e que ganharam aumento em 5cv de potência. Foi sucesso, tanto que nas próximas versões este predominou. Apesar de ter ganhado da fabricante novos ajustes desde o lançamento em seu motor, a primeira modificação no visual aconteceu só em 1978 quando pode-se notar novos vincos ao capô dianteiro, além dos detalhes nas lanternas traseiras e para-choques mais robustos.

Aproveitando os novos ares, chegaram em 1979 os modelos de luxo batizados de LS. Neste os acabamentos eram de primeira, com cores diferentes e metalizadas para a lataria, apliques emborrachados, frisos na lateral, vacuômetro, relógio e desembaçador traseiro. Neste mesmo ano chegaram ao mercado alguns raríssimos modelos com quatro portas – o primeiro fabricado em solo brasileiro com esse tipo de carroceria – que virou item de exportação (Nigéria, Portugal e Filipinas) – e por aqui foi muito utilizado por taxistas, já que o restante do público o rejeitou por preferir o modelo convencional com apenas duas portas.

Versão quatro portas não caiu no gosto dos brasileiros. Crédito da Imagem: Divulgação.
Versão quatro portas não caiu no gosto dos brasileiros. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

Outra modificação ficou por conta dos filtros de ar que deixaram todas as versões mais silenciosas, caindo de vez no gosto dos brasileiros, batendo a marca das 150 mil unidades vendidas na época. Mas a reviravolta estava por vir com a chegada da década de 80, que foi catastrófica para a Brasília. Em 1980 o automóvel ganhou novos ajustes, principalmente no painel que ficou mais parecido com o do Passat, os bancos tiveram seus encostos de cabeça mudados para o estilo removível, além de o vacuômetro ter deixado de ser um item de série e passado a ser opcional, assim como o lavador elétrico e o temporizador.

No LS foi decretado o “fim” das rodas grafite e surgem oficialmente os modelos movidos à álcool com motor 1300 de dupla carburação e potência bem menor: 49cv. Com a chegada do Gol, a Brasília foi declinando do seu reinado e perdeu o posto de queridinha do público, ainda mais com as “mexidas” que a Volks resolveu dar. Em 1982 a Brasília saiu de linha fechando a marca de mais de um milhão de unidades comercializadas em todo o mundo: 980 mil no Brasil, 100 mil em outros países, de modo geral e 80 mil no México, outro país que produzia o veículo.

Curiosidades

  • Um pouco antes da apresentação ao público de modo oficial. Um jornalista foi até o local onde estava o carro e decidiu tirar algumas fotografias. Até que foi surpreendido por seguranças que em certo momento se descuidaram, e as fotos foram realizadas. Revoltados com a situação, os seguranças decidiram atirar contra seu carro, o que gerou uma forte comoção na imprensa e fez a Volkswagen se retratar publicamente sobre o caso.

  • Duas Brasílias foram os únicos veículos a aparecerem em episódios do seriado mexicano “Chaves”. O veículo apareceu em cenas distintas e pertenciam ao dono da Vila, Seu Barriga.

  • “Mina, seus cabelo é da hora, seu corpo é um violão, meu docinho de coco, tá me deixando louco. Minha Brasília Amarela, tá de portas abertas, pra mode a gente se amar, pelados em Santos”. Quem nunca cantarolou essa letra que se manifeste! Sucesso na década de 90, “Pelados em Santos” foi o grande hit e rendeu aos Mamonas Assassinas até um Troféu Imprensa em 1996 por ter sido a música mais tocada no ano anterior. O carro acabou virando o mascote da banda e se reparar bem na capa dos discos vai notar que o símbolo da VW virou um MA, posto de “cabeça para baixo”.

Mamonas Assassinas - Mamonas Assassinas (1995)

 

Veja o clipe de Pelados em Santos:

Mesmo depois de 33 anos do encerramento de sua fabricação, as Brasílias ainda são muito vistas no Brasil e viraram carros de colecionadores.

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