Chevrolet Opala: o campeão de velocidade

Ícone da Chevrolet, Opala foi o primeiro sedan grande do Brasil. 

 

Ele já foi carro oficial do Presidente da República no Brasil, taxi, carro de polícia e dependendo da versão até ambulância: estamos falando de mais um ícone no mundo automobilístico – o Opala – apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo no final da década de 60.

A carroceria do “Opalão” foi inspirada no Opel Rekord, mas o design e todo o jeito invocado, principalmente debaixo do capô, foram herdados do primo distante Impala – da indústria norte americana -. O projeto do automóvel levou dois anos para ficar pronto (conceito 676).

Opel Rekord, carro que inspirou o Opala da Chevrolet. Crédito da Imagem: Divulgação.
Opel Rekord, carro que inspirou o Opala da Chevrolet. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

Foi em uma quinta-feira de novembro de 1968 que a primeira unidade “nasceu” na fábrica da montadora em São Caetano do Sul, em São Paulo. No começo o carro era produzido em duas configurações de motores com quatro ou seis cilindros e carrocerias nas versões básica, luxo e esportivo (todos derivados dos carros produzidos na época lá nos Estados Unidos.

O Opala foi muito bem quisto por uns e odiado por outros, uma vez que o acabamento realmente deixava um pouco a desejar, se comparado aos modelos da terra do “Tio Sam”. Nada que o tempo e o jeitinho brasileiro não dessem jeito. Em 1971 chegou ao mercado uma das versões mais queridas pelos “opaleiros”, a SS.

Propaganda da época do lançamento do SS. Crédito da Imagem: Projeto 676.
Propaganda da época do lançamento do SS. Crédito da Imagem: Projeto 676.

O modelo chegou para brigar pela preferência do público que gostava dos mais esportivos, já que este veio mais “invocado” e veloz que a outra versão. Mas não foi só isso: do lado de dentro, volante de três raios, além do câmbio de quatro marchas no assoalho e bancos individuais. Já do lado de fora, belíssimas rodas esportivas e pintura especial no mesmo estilo.

 O Opala SS vinha com duas versões também, porém, os com quatro portas nasceram e foram aposentados ainda em 71. No ano seguinte, foi eleito pela Revista Autoesporte como o “Carro do Ano”. Já em 1974 chegam ao mercado os exemplares com motorização 2.5 de quatro cilindros (que permaneceram até os anos 80).

O “upload” veio novamente em 1976 com o lançamento do 250/S, eleito pela Quatro Rodas como o “Carro mais veloz do Brasil” após bater a marca dos 190 km/h, deixando literalmente para traz grandes ícones mundiais como o Dodge Charger e o Maverick (“Maveco” para os mais íntimos).

Mas não pense que a Chevrolet se deteve apenas em fazer melhorias nessa versão e deixou de lançar outros modelos para o Opala. Um pouco antes surgia a Caravan, versão perua do carro. Com um porta-malas bem generoso, o carro agradava tanto quem tinha família quanto a área comercial, já que a Caravan foi usada até como ambulância e carro funerário.

Propaganda da Caravan Ambulância em revista. Crédito da Imagem: Registros Automotivos do Cotidiano.
Propaganda da Caravan Ambulância em revista. Crédito da Imagem: Registros Automotivos do Cotidiano.

 

O motor encontrado na perua era o mesmo do sedan e do coupé. Quem tinha dinheiro na época para comprar uma dessas encontraria as opções 250-S e 151-S. Mas a história da Caravan nós do SóCarrão iremos deixar para outro dia.

Voltando ao Opala, talvez a década de 82 tenha sido uma das mais marcantes para a história desse ícone. Foi em 1980 que surgiu a linha Diplomata, marco no design e estilo do “carango”. Quem é dessa época deve se lembrar que a moda das montadoras era o “retangular” e é claro que a Chevrolet não iria ficar “por baixo”.

Opala Diplomata. Crédito da Imagem: Divulgação.
Opala Diplomata. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

No Diplomata a fabricante investiu em uma frente e traseira mais “quadradinhas”, deixando do jeito de antes somente a carroceria. Além do mais, a linha que já chamava atenção pelo nome em si era “top de linha”, luxuosa mesmo. Outro ponto é que a estabilidade foi melhorada, assim como a suspensão e os freios que trouxeram mais segurança ao motorista e aos ocupantes do carro.

O tempo foi passando e junto com a necessidade de trazer itens mais modernos chegaram os “elétricos” para esses automóveis: vidros, travas, retrovisores, porta-malas e até a antena fazia o estilo “moderninho de ser”. Fora isso, foi investido também para a linha em desembaçador do vidro traseiro, aquecimento interno e volante que permitia regulagem de altura – novidade para a época -.

 Mais novidades vieram com o tempo, incluindo a nova nomenclatura: o Opala virou “Caravan SL”, o Comodoro ganhou a sigla SL/E e o Diplomata, SE. Havia ainda uma versão que era única e exclusivamente comercializada para quem era do comércio, frotistas ou de órgãos governamentais, batizada de “Opala L”.

Fim da era

Os fãs do bom e “velho” Opala com certeza se lembram do dia fatídico em que o carro saiu de linha. Isso aconteceu em 16 de abril de 1992 quando a Chevrolet fabricava a milionésima unidade. Para se ter ideia da dimensão do “problema” no dia em que a montadora decidiu “parar as máquinas” houve protesto e buzinaço ao redor da sede de São Caetano do Sul, em São Paulo.

Assim que decidiram substituir o Opala pelo também extinto Omega, ocorreu o lançamento da Série Especial Limitada Collectors na qual os veículos produzidos saiam da fábrica nas cores “azul Millos”, “preto Memphis” e “vermelho Ciprius”.

Opala Collector, série especial de fim de linha. Crédito da Imagem: Opala Clube Maiporã.
Opala Collector, série especial de fim de linha. Crédito da Imagem: Opala Clube Maiporã.

Ao todo foram 100 unidades que vinham muito bem acompanhadas. Quem adquiriu os últimos modelos levou para casa um carrão equipado com câmbio automático e um belíssimo e desejado kit “recheado” com um VHS com a história do carro, chaveiro com letras douradas e um certificado exclusivo assinado pelo punho de nada mais, nada menos que o dono da empresa no Brasil (que vinha dentro de uma pasta de couro).

Você deve ter achado estranho falarmos em “últimos modelos” certo? Pois é, na verdade a Chevrolet deu uma enganadinha no público por que na verdade não foram só cem produzidos para arrematar a linha – mais carros saíram da fábrica nesse meio tempo, mas só sem foram “os escolhidos”, digamos assim, para receber o nome de Collectors -.

Os colecionadores e aficionados pelo carro certamente já sabem, mas quem se interessou em ter um desses na garagem pode procurar por chassis de 107.837 a 108.055 já que esses são os da “série especial”.

 Curiosidade

Você sabia que o “último dos moicanos” dos Opalas foi depenado dentro da montadora? Pois é. O carro foi devastado por ter saído com o número do chassi de ponta cabeça e por isso foi rejeitado. Cliente chegava para reparos, adivinha quem era o alvo? O próprio, as peças eram retiradas aos poucos dele.

Quase “pelado”, o carro saiu da fábrica entre 98 e 99, passando por restauração e depois ficou em exposição no Rio Grande do Sul, mais precisamente na ULBRA na cidade de Canoas. Depois de muito tempo rodando por aí um ex-funcionário da GM decidiu comprar o Opala e o mantém até hoje em sua garagem.

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