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Ford Pinto, um dos carros mais perigosos já lançados – explosões em colisões traseiras

Pouco conhecido no Brasil, o Ford Pinto foi um dos automóveis mais populares no mercado norte-americano nos anos 70. Pequeno (classificado como subcompacto), econômico (custava menos de dois mil dólares.Cabe notar que os preços em dólar eram muito mais baixos na época) e leve (pesava cerca de 900kg), o Ford Pinto foi apresentado ao público no dia 11 de setembro de 1970 e sua produção foi descontinuada nos anos 80, quando foram descobertas graves falhas de segurança.

O modelo foi criado pela Ford para concorrer com o esquisitíssimo AMC Gremlin, veículo compacto produzido pela American Motors Corporation, lançado seis meses antes. A Ford chegou a cogitar a possibilidade de produzir o veículo no Brasil, com a intenção de dividir o mercado com o Ford Corcel, que fazia sucesso no país nos anos 70, porém desistiu da ideia por dois motivos: em primeiro lugar, o alto custo da adaptação das linhas de produção e, o mais irônico, por causa do nome do modelo.

Afinal, lançar um auto cujo nome é uma gíria popular infantil para o órgão sexual masculino tornaria a multinacional motivo de piada por aqui. Apesar da popularidade do modelo nos EUA, suas vendas caíram abruptamente quando foi descoberto que o veículo se incendiava após colisões traseiras. Devido ao design e à localização do tanque de combustível, impactos em velocidade igual ou superior a 32km/h causavam a ruptura do tanque e consequente explosão.

Por meio de testes de colisão, foi provado que a Ford já sabia dos riscos antes de lançar o veículo no mercado, o que causou a demissão do então presidente Lee Iacocca. Descobriu-se depois que a empresa preparou uma análise de qual seria o custo para reparar as falhas estruturais nos novos veículos, chegando à conclusão de que o valor seria de US$ 11,00 para cada automóvel, representando um custo de US$ 137 milhões para regularizar toda a linha de produção.

Considerou-se que as indenizações para cada morte que poderia ter sido evitada custariam à empresa US$ 200.000, cada indenização por queimaduras graves custariam US$ 67.000 e cada veículo a ser reparado após uma colisão custaria US$ 700. Logo, se o cálculo assumisse uma possibilidade de 2.100 veículos incendiados, 180 pessoas com queimaduras graves e 180 mortes, o custo das indenizações ficaria em “apenas” US$ 49.500. Ou seja: a Ford assumiu os riscos porque seria mais barato indenizar as vítimas do que evitá-los.

Após o escândalo, o Ford Pinto teve sua produção descontinuada e foi substituído pelo Ford Escort americano. Na foto abaixo, o AMC Gremlin, concorrente do Ford Pinto, com seu design “único”.

Na de baixo, o Escort americano, que substituiu o Ford Pinto.

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