Fusca: o primeiro popular fabricado no mundo

Marco na indústria do automóvel, Fusca atravessa gerações e reúne apaixonados pelo modelo.

Käfer, Carocha, Fuque, Besouro, Beetle. Clássico e histórico, o Fusca é muito famoso e querido no mundo todo. É difícil encontrar alguém por aí que não tenha ao menos uma história para contar que o envolva. Até no cinema esse veículo recebeu homenagens eternizado na lataria de “Herbie”, muito replicado até hoje.

Isso sem falar em outros filmes em que ele aparece, publicações e músicas que carregam seu nome por aí, afinal quem nunca ouviu “Fuscão Preto”? E você sabia que no Brasil há um dia especial dedicado somente a ele? Pois é, 20 de janeiro é o Dia Nacional do Fusca. Mas toda essa paixão por esse carro tem uma explicação.

COMO TUDO COMEÇOU

O Volkswagen Sedan (Fusca) foi o primeiro automóvel produzido pela montadora alemã com a intenção de ser um carro popular, e conseguiram. Em 1972 esse veículo desbancou o Ford T e ocupou o título de carro mais vendido do mundo!

O conceito de popularidade surgiu na Alemanha em meados da década de 30, pois naquela época o país tinha um dos piores índices de motorização da Europa, até por que naquela época a maioria das fábricas era especializada em carros luxuosos, feitos à mão e por isso, caríssimos. Aí veio a ideia do “Volks Auto” ou “Volks Wagen”, quer dizer “carro do povo”.

Hitler nesse meio tempo já havia ocupado o poder e como sempre quis que seu país fosse muito mais moderno e poderoso, viu nessa ideia uma solução para aumentar o desenvolvimento do Estado como um todo, principalmente na geração de empregos para seu povo.  Depois de muita conversa e negociação com representantes de várias montadoras, fez várias exigências que explicam um pouco o resultado final do Fusca.

Segundo ele, o carro ideal deveria carregar cinco pessoas, sendo dois adultos e três crianças (que era uma típica família alemã da época e Hitler não queria os separar), alcançar e manter sua velocidade média em 100 km/h, econômico (não deveria passar de 13 km por litro), barato e ágil.

Primeiro Fusca do mundo. Crédito da Imagem: Divulgação.
Primeiro Fusca do mundo. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

As primeiras unidades foram testadas entre outubro e dezembro de 1936, e dez anos depois já estavam no mercado dez mil veículos! Apesar das dificuldades enfrentadas na Alemanha por causa da Segunda Guerra Mundial, e 1947 o sucesso do Fusquinha era tão grande que se deu início ao processo de exportação. A Holanda foi o primeiro país a recebê-lo.

Agora imagine você: um carro barato, que atendia as necessidades do povo e ainda por cima ágil só tinha que “vender como água”. Para se ter uma ideia, em 1955 a produção era de mil por dia e logo bateram a marca de um milhão nas ruas.

FUSCA NO BRASIL                                                                                           

Aqui no Brasil as primeiras unidades chegaram em 1951 pelo Porto de Santos. Mas se engana quem pensa que era só tirar do navio e sair passeando. Eles vinham desmontados e outra empresa – a Brasmotor (do mesmo grupo da Brastemp) – era quem fazia as montagens, uma vez que ainda não existia VW em terras brasileiras.

O importado era conhecido como Split Window, pois seus vidros traseiros eram divididos em dois. Em 53 já começaram as primeiras mudanças no design do Fusca, pois as janelas deixaram de ser dividas e perderam lugar para as ovais, que depois se tornaram retangulares. Nesse mesmo ano a Volks chegou por aqui e aí os primeiros modelos brasileiros começaram a “sair do forno”.

Fusca Split Window. Crédito da Imagem: Divulgação.
Fusca Split Window. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

Em 1959 a produção começou a ser oficialmente brasileira embora as peças ainda viessem de fora. Com o tempo mais mudanças na lataria e na mecânica apareceram, como o volante, as maçanetas externas e também o estribo que ficou na cor do carro. As marchas passaram a ser sincronizadas, as lanternas ovais e o painel ganhou aquela famosa alça de segurança para o passageiro (que rendeu muitos apelidos).

E por falar em apelidos, pouco tempo depois inventaram o modelo com teto solar, o “Cornowagen”. Claro que muitos proprietários se sentiram incomodados com a alcunha e o tal teto era na maioria das vezes fechado. Ou seja, não fez sucesso.

Apelidado de "Cornowagen", Fusca com teto conversível não fez sucesso. Crédito da Imagem: Divulgação.
Apelidado de “Cornowagen”, Fusca com teto conversível não fez sucesso. Crédito da Imagem: Divulgação.

O motor aos poucos foi ganhando mais potência passando do antigo 1200 (36 cv) para 1300 (46 cv). Em 1970 passou a ser 1500 com 52 cv, depois 1600-S (65 cv) e ficou conhecido como “Super Fuscão” pois a carburação se tornou dupla, ficou mais esportivo com rodas aro 14, painel com marcador de temperatura, relógio e amperímetro.                        

Em seguida chegaram ao mercado o modelo 1300-L, com mudanças na estrutura, visando a segurança de quem fosse dirigir, uma vez que a barra de direção se tornou retrátil e protegia mais em caso de colisão frontal. E não parou por aí. Logo modificaram de novo o automóvel e dessa vez, destaque para as lanternas traseiras.

Teste realizado pela Quatro Rodas no ano de lançamento do carro. Crédito da Imagem: Quatro Rodas.
Teste realizado pela Quatro Rodas no ano de lançamento do carro. Crédito da Imagem: Quatro Rodas.

Era o Fusca “Fafá” 1979, pois tinha lanternas maiores que ganharam esse apelido por causa dos seios “avantajados” da cantora Fafá de Belém que depois se tornaram padrão para todos os modelos. Como é característica forte desse carro, nunca para de  mudar, em 81 lançaram no mercado o 1300 com motor à álcool.

Fusca "Fafá": homenagem aos "atributos" da cantora. Crédito da Imagem: Divulgação.
Fusca “Fafá”: homenagem aos “atributos” da cantora. Crédito da Imagem: Divulgação.

Apesar de estar há tantos no mercado ele ainda era chamado de VW Sedan (nos registros dos Detrans) e só passou a ser Fusca mesmo em 1983. O primeiro adeus a produção desses veículos no Brasil foi em 1986, que apesar de ser o segundo mais vendido na época a fabricante o considerava muito antiquado.

Sete anos mais tarde, em 93 e por sugestão do Presidente Itamar Franco, foi retomada a produção do bom e “velho” Fusca, que durou apenas três anos e saíram do “forno” 42 mil exemplares na Série Ouro. A partir desse ano novos veículos só eram produzidos no México, sendo o último em 2003.

Série foi batizada em homenagem ao ex-presidente Itamar Franco. Crédito da Imagem: Divulgação.
Série foi batizada em homenagem ao ex-presidente Itamar Franco. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

A partir daí chegou ao mercado o “novo Fusca”, mais moderno, porém não faz tanto sucesso quanto o saudoso avô.

Tem histórias com o Fusca e quer contar no SóCarrão? Envie para jornalista@socarrao.com.br. 

1 comentário sobre “Fusca: o primeiro popular fabricado no mundo”

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