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Gordini: ao gosto do freguês

Feito sob medida, sedan da Renault caiu teve mais de duas milhões de unidades vendidas.

 

Foi na década de 50 que a Renault se consolidou na Europa como uma empresa estatal, surgindo a grande necessidade de inovar e lançar no mercado em crise pós Segunda Guerra Mundial, um veículo que agradasse o público tanto no estilo quanto no bolso. A grande sacada da montadora francesa foi a de fazer uma consulta popular para saber o que o público mais gostava e buscava em um veículo: preço acessível, economia de combustível e espaçoso. Já quanto ao desempenho, para surpresa da diretoria, se chegasse a 110 km/h seria perfeito.

Após unir esforços, finalmente se chegou ao resultado satisfatório: conseguiram fabricar um veículo com velocidade máxima de 115 km/h, com capacidade para quatro pessoas, além de trazer muito conforto aos ocupantes do veículo e consumir apenas um litro de combustível a cada 14 quilômetros rodados. Como ainda não tinha um nome definitivo, o protótipo foi batizado de R1090, sendo apresentado para a imprensa no Palácio de Chaillot, em Paris (França) e para o público no Salão de Genebra (Suíça). Nessa ocasião, o veículo já tinha ganhado seu nome definitivo, pelo menos na Europa – Dauphine -.

Gordini 1958. Crédito da Imagem: Divulgação.
Gordini 1958. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

Por lá a versão apareceu com quatro portas, medindo quatro metros e com linhas bem curvilíneas e alegres. Os faróis foram apresentados bem arredondados na dianteira e pequenos na traseira do carro. Na frente a montadora optou por não investir em grades, tornando-o mais refinado e elegante, agradando assim os mais exigentes. Já o motor não era muito atrativo já que vinha com a potência de 27 cavalos de força a 4000 rpm e torque máximo de 6,7m. KgF, com quatro cilindros, comando no bloco e refrigeração a água. O carro demorava 30 segundos para ir de zero aos 100 km/h.

Outro detalhe que chamava atenção era o câmbio de três marchas, sendo a primeira sem sincronização. Em 64 surgiu o automático, junto com itens como os freios a disco nas quatro rodas. Somente em 1965 que as marchas passaram a serem todas com sincronização. Porém, por mais que as vendas estivessem indo de “vento em popa”, em 1967 o carro foi substituído pelos modelos R8 e R10, retirando o carro de linha.

No Brasil

Por aqui a história começou em 1952, mais precisamente no mês de abril daquele ano. A Willys-Overland, mesma fabricante do Jeep havia instalado uma unidade de produção para peças que deveriam ser arremetidas aos Estados Unidos. Em 1958 a montadora fez um investimento equivalente a US$12 milhões de dólares e assim adquiriu o aval da Renault para começar a fabricar o Dauphine por aqui, sendo lançado no mercado nacional em setembro de 1958.

Anúncio do veículo no Btasil. Crédito da Imagem: Divulgação.
Anúncio do veículo no Btasil. Crédito da Imagem: Divulgação.

No quesito de estética e mecânica, praticamente tudo igual ao comercializado na Europa. Nove anos mais tarde, já em 1967 a fábrica foi vendida para a Ford Motor Company Brasil, que por sua vez baniu o modelo do mercado e o substituiu pelo Corcel. Apesar de muitos chamarem o sedan de Dauphine, para nós o carro sempre foi conhecido como Gordini.

Veja a propaganda do Gordini de 1962:

Curiosidades

  • Amédie Gordini sempre esteve ligado à montadora francesa Renault, por isso o nome do carro ficou mais conhecido desta forma. Por sinal, era ele o responsável pela maior parte das melhorias realizadas no veículo. Foi Gordini quem aumentou a potência do carro várias vezes, inseriu a quarta marcha, além de ter sofisticado mais o modelo, principalmente após colocar no Dauphine bancos mais largos, acabamento mais refinado, a famosa pintura “saia e blusa”, faixas brancas nos pneus e teto solar de lona.
  • O nome “Dauphine” seria a versão feminina de “Dauphin”, que é um título feudal da França.
  • No Brasil o “Gordini” foi estrela no Festival de Recordes (sediado em Interlagos) e também no Circuito de Araraquara. O carro marcou presença também no Quilômetro de Arrancada (Rio de Janeiro).
  • O piloto brasileiro Emerson Fittipaldi obteve suas primeiras vitórias dentro de um R1093 da Equipe de Luiz Antonio Grecco. Em 1965, Luiz Pereira Bueno e José Carlos Pace venceram a conhecida prova dos 1600 Quilômetros de Interlagos, também com um Gordini.
  • O nome para este sedan era para ser “Corvette”. Nem precisamos dizer que a GM correu antes e lançou seu esportivo com essa nomenclatura, “matando” o nome do concorrente.

Na semana que vem você vai conhecer a história do Maverick, o Mavecão da Ford. Não perca!

 

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