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Karmann Ghia: 60 anos de história e nostalgia

Carro foi um dos primeiros esportivos da Volkswagen no pós Segunda-Guerra.

 

Após os horrores da Segunda Guerra, a indústria automotiva estava abalada assim como todas as outras. Na época, a Volkswagen só produzia carros como o Fusca e a Kombi e havia demanda por modelos mais esportivos e luxuosos. A saída encontrada então foi de fazer um carro para se adaptar ao novo público. Com a ideia na mente, a diretoria da montadora decidiu ir atrás de quem pudesse projetar o veículo e de preferência executar.

Foi aí que chegaram até a Ghia, montadora italiana responsável pelos desenhos e a Karmann, alemã especializada em protótipos do gênero. A princípio, os primeiros desenhos não agradaram o exigente presidente da VW na época, Heinrick Nordhoff. Quem estava por trás do lápis era Luigi Segre. Após muita conversa, o italiano mostrou o desenho do que era para ser um coupé da Chrysler, mas que havia sido rejeitado. Pronto, a inspiração havia surgido então.

Karmann Ghia: design italiano, fabricação alemã. Crédito da Imagem: Divulgação.
Karmann Ghia: design italiano, fabricação alemã. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

Primeiras aparições

O primeiro protótipo apareceu no Salão do Automóvel de Paris em 1952. A partir disso, deu-se início a um trabalho árduo e minucioso de transformar a carcaça de um Fusca (sim, o Karmann Ghia foi baseado nele) deixando-o 30 cm mais largo e 12 cm mais longo. Para quem não sabe, os primeiros modelos eram feitos à mão (pelo menos boa parte da montagem). Três anos mais tarde o Typ 14 foi apresentado à imprensa. Curiosamente, na ocasião o carro foi apresentado com esse nome devido ao fato de que na época ele ainda não tinha definição.

Em agosto o primeiro modelo foi definitivamente lançado na Alemanha, sendo um sucesso: 10 mil unidades vendidas só no primeiro ano. O nome passou a ser “Karmann Ghia” por ser exótico e pela junção de vários fabricantes para tornar real um único carro. O custo era um pouco maior que o primo Fusca – cerca de mil dólares a mais justamente por ser quase artesanal -. Os painéis da carroceria eram confeccionados manualmente, assim como a soldagem, o que elevou a Volks a um patamar melhor, chamando atenção por inovar com o modelo de luxo.

Problemas e Soluções

Nem tudo eram só flores, pois o espaço interno do carro deixava a desejar em alguns aspectos. Os mais altos sofriam com o pequeno espaço para as pernas na dianteira e quem fosse sentar-se no banco traseiro sofria com a altura do teto, bem baixo por sinal. Mesmo assim, esses detalhes eram deixados de lado com a sofisticação do veículo perto dos outros da mesma fabricante. O Karmann Ghia vinha com volante branco de dois raios, um pequeno bagageiro na parte traseira e o charmoso painel que trazia mais requinte.

Interior do Karmann Ghia 1959. Crédito da Imagem: Divulgação.
Interior do Karmann Ghia 1959. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

Já na parte mecânica, tudo igual ao Fusca. Inclusive quando a VW dava uploads em um, o outro vinha com a mesma configuração. De início, quem fosse atrás de um Karmann Ghia para adquirir iria encontra-lo com motores 1500cc ou 1600cc. Pouco tempo depois foi apresentada ao mercado mundial a versão conversível, sanando um bocado o problema de quem iria sentado nos bancos de trás. Os faróis também ganharam novo design se tornando mais redondos e “subiram”.

Se os “principiantes” não agradaram muito por conta da mecânica mais “lenta” para um esportivo, em 1967 eles saiam da fábrica equipados com motores 1500cc 44cv e atingiam velocidade máxima de 138 km/h. Hoje em dia pode parecer pouco, mas para a época era bem veloz. O reinado do carro durou mais sete anos, atingindo seus 142 km/h, com para-choques  maiores e a opção de bagageiro no lugar do banco traseiro. Em 1974 o carro saiu de cena e deu lugar ao sucessor, Scirocco, fabricado também em parceria com a Karmann.

No Brasil

Por aqui ele deu o ar da graça na década de 60, quando a Karmann decidiu montar sua fábrica em São Bernardo do Campo, São Paulo. Em 1962 saiu de lá o primeiro modelo nacional, bem parecido com o irmão europeu. Cinco anos depois o carro ganhou motor mais forte, passando de 1200cc 36cv para 1500cc 44cv, além do sistema elétrico também ter sido modificado de 6V para o dobro, 12V.

Um marco nasceu nesse mesmo ano por aqui, que foi a versão conversível. Limitada, foram fabricadas apenas 177 unidades do carro, um dos mais raros e valorizados até hoje. Já na década de 70 o motor passou a ser um 1600cc de 50 cavalos de força, com maior torque e freios a disco na dianteira. Nesse ano a Karmann lançou a versão TC, baseado nos Porsches. O resultado? Fracasso total. Não demorou muito para que esse mito saísse de fábrica: o original deu adeus em 1971 e o TC no seguinte.

Karmann Ghia TC. Crédito da Imagem: Divulgação.
Karmann Ghia TC. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

60º Aniversário

Para homenagear o sexagésimo aniversário do carro a VW divulgou nesta semana um vídeo. Assista:

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