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Maverick, a lenda da Ford

Apesar de não ter “emplacado” no Brasil, carro mexe com a cabeça dos fãs até hoje. Conheça a história.

 

A história do “Maveco” teve muitos capítulos até chegar ao ponto final. Tudo começou lá nos Estados Unidos, na década de 60. Na época o país enfrentava um forte crise petrolífera e a indústria automotiva, principalmente da Ford estava em busca de um carro que pudesse agradar o público em todos os sentidos, inclusive no “bolso”. Em abril de 1964 chegaram por lá os primeiros modelos com o custo aproximado de U$1995 em quinze opções de cores e motorização 2.8L e 3.3L de seis cilindros. O primeiro “upload” aconteceu em 71 quando o carro foi equipado com motor V8 que já fazia parte dos Mustang.

Por lá, o carro teve forte aceitação dos consumidores (diferente daqui) e teve a divulgação voltada para o público jovem, ou ainda como sugestão de segundo carro da família. O sucesso foi ainda maior quando a Ford deu uma bela trabalhada na carroceria, emplacando o total de 579 mil vendas, deixando até o “primo” Mustang para trás. Mais tarde surgiram os modelos Sprint e Grabber, além do lançamento do Comet, “filho” da Mercury (dissidente da Ford) – um modelo bem parecido com o original, só que com grade e capô diferentes -. Todos foram bem recebidos, até que em 1977 o carro foi retirado de linha no país.

No Brasil

Se fosse para comparar a produção do Maverick a um estilo de tevê, por aqui a história do carro está quase para uma novela mexicana. Na época em que a Ford assumiu a Willys Overland havia um projeto em aberto, o de substituir o Gordini, que só foi concluído com a chegada do Corcel, além de ter-se mantido o Aero Willys 2600 e o Itamaraty em produção. Porém, os carros da Willys já estavam ficando retrógrados e havia a necessidade de fabricar um carro mais barato e menos luxuoso que o Galaxie, por exemplo.

Mas antes de correr o risco de lançar em nosso mercado um novo modelo, a montadora decidiu ouvir o público e fazer uma pesquisa de opinão para saber qual o carro mais querido dos brasileiros. Chegou-se à conclusão de que este era o Taunus (da Ford inglesa). O problema é que esse modelo era praticamente impossível de ser trazido para nosso público, por alguns motivos como o custo e a parte mecânica. Então começaram a confabular e chegaram a um projeto, o do Maverick nacional.

Sonho de consumo para os brasileiros, carro era inviável de ser produzido por aqui. Crédito da Imagem: Divulgação.
Sonho de consumo para os brasileiros, carro era inviável de ser produzido por aqui. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

O Salão do Automóvel de São Paulo foi o primeiro local onde o carro fez aparição. Detalhe: se ao invés de começarem a fabricar o Maverick, colocassem em prática o Taunus, os gastos aumentariam em cerca de 70 milhões de dólares. É claro que para “trazer” o “maveco” para cá a Ford teve que “rebolar” e fazer muitas adaptações, essas que por várias vezes não foram bem sucedidas. Um exemplo foi a “mexida” no motor, uma vez que o do Willys não caberia no automóvel. Nisso, muitos cabeçotes foram estragados, desagradando o público.

O “novo” Maverick foi apresentado à imprensa em maio de 1973, e em junho a primeira unidade saiu dos “fornos”. Por aqui a divulgação também foi forte, mas com outro enfoque. As filmagens para a propaganda foram realizadas na Cordilheira dos Andes e também na Bolívia, além de que o primeiro produzido por aqui foi sorteado. No lançamento estavam disponíveis para compra três modelos: Super (Standard), Super Luxo (SL) e GT – nos dois primeiros era possível escolher o tipo de câmbio (manual com quatro marchas no assoalho ou automático com três na coluna de direção), além das opções sedan (quatro portas) ou coupê (duas).

 

Entre os três o GT era o mais top, pois além de limitado, vinha com faixas laterais pretas, detalhes em preto fosco no capô (com um par de presilhas) e painel traseiro, rodas mais largas, motor de oito cilindros em V, atingindo os 100 km/h em apenas dez segundos. Mas se engana que o carro era perfeito, pois após testes descobriu-se que o carro estava cheio de defeitos: pouco espaço no banco traseiro, pouca visibilidade, etc. O mais curioso é que isso não acontecia nas versões sedan, porém esta não caiu no gosto dos consumidores exigentes.

Outro ponto negativo encontrado foi o motor “fraco” que era oriundo dos Willys e do Itamaraty. Para se ter ideia o carro chegava aos 100 km/h em 20 segundos, além de “beber” muita gasolina, o que era péssimo em tempos de crise. Em 1975 chegou a solução para isso, com a substituição por propulsores 2.3L de quatro cilindros com comando de válvulas e correia dentada. Já na questão de consumo, houve uma breve amenizada, fazendo a redução de apenas quatro segundos para atingir os 100 km/h e o consumo ficou na casa dos 7,5 km/l.

Neste mesmo ano chegou às concessionárias o Maverick Quadrijet com oito cilindros e carburador quadruplo (por isso o nome do carro). Mais potente, era reforçado com 185cv e impressionava por ir de 0 a 100 km/h em 6,5 segundos – um recorde para o modelo -. Além disso, o Quadrijet atingia a velocidade máxima de 200 km/h, mas devido ao alto custo também foram produzidas pouquíssimas unidades.

Motor do Quadrijet. Crédito da Imagem: Divulgação.
Motor do Quadrijet. Crédito da Imagem: Divulgação.

Segunda Fase do Maverick no Brasil

Um ano após o lançamento do Quadrijet por aqui a Ford decidiu dar cara nova ao carro. Na verdade foi mais um upload interno, onde o Maverick ficou mais refinado com acabamento monocromático em tom marrom ou azulado, além do câmbio automático com três marchas, acionado no assoalho. Para essa fase, foi lançada a versão LDO, que ainda vinha com motor 2.3L, mantendo-se o 2.3 OHC para o Super e Super Luxo. No caso do GT a alteração foi no motor que acompanhava os outros dois modelos “mais simples”, somente com mudanças na pintura e duas entradas de ar falsas. O último adeus aconteceu em 1979 quando a Ford atingiu a marca das 108.106 unidades vendidas.

Na próxima semana você vai conhecer a história da Kombi. Não perca! 

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