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Voyage: o brasilerinho com nome de francês

Lançado na década de 80, carro ganhou repaginada e sobrevive até hoje no mercado nacional.

A primeira versão do Voyage foi lançada em 1981 e no ano seguinte foi eleito como o Carro do Ano pela Revista Autoesporte. Porém foi deixado de lado em 1995 quando se deu o fim de sua fabricação no país. Somente 13 anos mais tarde, em 2008, a montadora decidiu repaginar o Voyage e lançar a segunda geração desse sedan compacto. Este veículo nasceu brasileiro, pois foi projetado e fabricado por aqui, assim como o Gol, a Saveiro e a Parati.

Mas você já notou a semelhança entre o Voyage e outros carros da época de 70? Pois é, isso não é por acaso. A intenção era mesmo de produzir um parecido com os que circulavam pelas ruas europeias, como o Jetta, por exemplo. E se a lataria era parecida com um europeu, a parte mecânica foi genuinamente brasileira, pois o motor 1.5 refrigerado a água e o câmbio com quatro marchas foi adaptado do Passat, um carro que também era fabricado no Brasil. Essa configuração pôde ser encontrada em três versões: S (Super), LS (Luxo Super) e GLS (Gran Luxo Super), tanto no álcool quanto na gasolina.

E o brasileirinho fez sucesso! Para se ter ideia, no mesmo ano em que foi lançado virou artigo de exportação. Em alguns países da América do Sul recebeu o nome de “Gacel Amazon”. Na Argentina o batizaram de Senda e lá ganhou um motor 1.9 a diesel.

SAFRA DE 1983

Pouco tempo depois de sua criação o modelo movido à álcool passou a circular com motor MD 270 1.6 com 81 cavalos de potência, o mesmo encontrado no Passat TS e o mais forte produzido pela Volks do Brasil naquela época. Ainda nesse mesmo ano, em 1983, nasce o Voyage Plus. Faróis de Neblina, para-choques na cor do carro, e calotas especiais eram os destaques do “recém-nascido”. Mas esse não foi o único a ser criado nesse mesmo ano. O Voyage Sedan também aproveitou o embalo, porém não agradou muito por aqui, já que o brasileiro “torcia o nariz” para carros com quatro portas.

Ainda em 83, a VW apresentou no Salão do Automóvel em São Paulo o Voyage Tecno. Muito mais moderno, chegou com a promessa de ser o mais top produzido naquele momento. Nesse modelo era possível encontrar como item de série um motor 16v com injeção eletrônica, piloto automático, câmbio de cinco marchas, ABS, lanternas traseiras com luz negra, rodas Pirelli, além dos bancos terem regulagem elétrica com memória, computador de bordo e painel de instrumentos digital. Ou seja, “a modernidade em forma de carro” para a época.

VOYAGE LOS ANGELES – “AZUL TAMPA DE PANELA”

Depois do lançamento feito no Salão do Automóvel, a Volkswagen decidiu tornar todos os próximos lançamentos em 1.6. Em 1984 aconteceram as Olimpíadas de Verão em Los Angeles e é claro que um evento desse não poderia passar em branco. Estava batizada a nova versão: Voyage Los Angeles. Aerofólio, volante do Passat TS – o queridinho do momento –, rodas aro 13” de liga leve, spoiler dianteiro acompanhado de faróis de milha Cibiê Serra II, bancos Recaro de veludo navalhado cinza, a exclusiva cor azul enseada metálica e o motor 1.6 com câmbio quatro marchas ( ou cinco em raros) faziam desse um modelo esportivo.

O Voyage "tampa de panela". Crédito da Imagem: Revista Quatro Rodas.
O Voyage “tampa de panela”. Crédito da Imagem: Revista Quatro Rodas.

Porém, como o brasileiro sempre foi muito exigente, esse modelo não agradou exatamente pelo fato de que a cor era chamativa e também, por que em caso de reparos na funilaria o conserto sairia bem caro, ou quase impossível de ficar do mesmo jeito de antes. O Los Angeles gerou tanto impacto que até ganhou o apelido de “azul tampa de panela”. Aquela cor era super exclusiva e bem difícil de ser igualada por conta dos recursos que existiam na época. Isso obrigou muitos donos de concessionárias a trocar aquele azul por tons mais comuns, mesmo nos carros zero km. Para se ter uma ideia, eram previstos três mil desses nas ruas mas apenas 300 foram lançados. Ou seja, se você tem um na garagem ou pretende comprar, saiba que este é um dos modelos mais cobiçados e raros da VW. 

NOVOS LANÇAMENTOS

Após o lançamento do polêmico “azulão”, em 85 chegou ao mercado brasileiro o modelo com câmbio de cinco marchas que era oferecido como um opcional. O Gol que tinha motor 1.6 com refrigeração a ar ganhou uma repaginada: tanto o design frontal quanto o motor ficaram iguaizinhos ao do Voyage, o que o tornou um líder de vendas e procura na época (e até hoje). Em 1986 desfilava por nossas ruas o Voyage GLS Super. Mais potente e equipado era um dos carros mais velozes da década de 80.

O motor era 1.8 e chamava atenção por seu poder de arrancada: de 0 a 100 km/h em pouco mais de onze segundos atingindo a velocidade máxima de 178 km/h. Pode parecer pouco, mas para a época era bastante coisa, até por que alguns carros ainda hoje não conseguem bater essa marca. No ano seguinte, cara nova. Novos faróis, grade e para-choques com cobertura plástica, e câmbio de cinco marchas como item de série, deixando de ser apenas um opcional.

Porém as portas, retrovisores, painel de instrumentos e o acabamento interno só foram modificados em 1988, disponíveis nos modelos CL 1.6/ 1.8, GL 1.8 e GLS Super 1.8S. Nesse mesmo ano o Voyage passou a ocupar seu lugar nas ruas dos Estados Unidos e também no Canadá, onde foi batizado de Fox, recebeu injeção eletrônica e passou por mais de duas mil modificações. O motor foi substituído por um 1.6 CHT – da Ford – e passou a ser chamado de AE- 1600.

A promessa era de mais economia, ainda mais no modelo à álcool, mas na verdade ele perdeu um pouco de potência. Nasceu então uma série especial com motor AP 1.8 e 95 cv – o Voyage Plus. Mais esportivo, o painel, volante e os bancos ganharam alguns retoques o deixando mais cheios de personalidade.

ANOS 90

Os modelos com duas e quatro portas começaram a ser produzidos na terra dos “Hermanos” (Argentina) para substituir o 1500, mais conhecido por aqui como Dodge 1800 e Dodge Polara. Aí se consagrou o VW Senda em 1990. Em 91, mudança nas grades e nos faróis, além do porta-malas ficar super espaçoso com 420 litros de capacidade. O motor continuou 1.6 e depois passou a ser 1.8 na versão CL.

Além dessas modificações ganhou catalisador para se adequar as normas contra poluentes em excesso. Em 93, adeus aos Voyage quatro portas no Brasil. Logo mais criaram o Voyage Sport 1.8S, mas se alguém quisesse um carro quatro portas desse modelo teria que recorrer ao mercado argentino.

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Propaganda de época do carro. Crédito da Imagem: Divulgação.

O fim da linha aconteceu em 1995, ano em que foram produzidas somente mais duas versões: a GL 1.8 e a Special. Nesse meio tempo a Volkswagen trazia o mais novo lançamento, o Polo Classic, que chegou para fazer com que todos dessem seu adeus definitivo ao Voyage.

“O BOM FILHO A CASA TORNA”

voy 2008
Totalmente modificado, Voyage chegou novamente ao mercado em 2008. Crédito da Imagem: Divulgação.

 

Após anos sem dar as caras por aqui, em 2008 a Volks trouxe de novo ao consumidor o Voyage, dessa vez totalmente repaginado e com pouquíssimos traços (ou quase nenhum) do seu ancestral da década de 80. Em quatro versões, 1.0, 1.6, Trend e Comfortline, foi baseado no Gol. Porém se engana que o Voyage é inspirado somente neste veículo.

É só você dar uma boa olhada na parte da frente para notar que os faróis desses modelos são bem parecidos com os do Fox, e na traseira, lanternas bem semelhantes as do concorrente Grand Siena da Fiat. Atualmente a Volkswagen trouxe ao consumidor o modelo em três versões: Trendline, Comfortline e Evidence, com preços a partir de R$40.530 e que trazem debaixo do capô opções de motor 1.0 ou 1.6 com rendimento de 76cv/72cv ou 104cv/101cv.

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