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Batmóvel brasileiro: mineiro cria veículo igual ao do filme

Rafael Reston (36) levou mais de quatro anos para fabricar o carro, que foi feito à mão.

Quando cai a noite é que os bandidos e a criminalidade tomam conta das ruas. Quem é de bem tem medo de sair de casa, e se algo acontece, só resta uma saída: recorrer a alguém competente o suficiente para combate-los. O homem sai do conforto do lar, fica com sede por justiça, e o instinto de proteger quem merece é muito mais forte do que qualquer outra coisa.

Seus poderes impressionam, e até mesmo quem é totalmente descrente dessa história de “superheróis” fica boquiaberto quando ele aparece. Quando as turbinas do superpossante são acionadas, saia de perto: o homem- morcego está chegando para botar terror na malandragem de Gothan City. De quem estamos falando? De um personagem que nasceu no fim da década de 30 em uma história em quadrinhos, e que depois ganhou as telas do cinema, conquistando milhões de fãs mundo afora: Batman, é claro.

Mas o que seria do “homem-morcego” sem um potente veículo para leva-lo aos lugares mais perigosos ou insalubres? Absolutamente nada. O Batmóvel se tornou símbolo e objeto de desejo de admiradores do personagem, sem importar a idade, credo, cor ou classe social. Difícil é encontrar alguém que pelo menos um dia na vida não tenha desejado dar somente uma voltinha em qualquer que seja dos modelos que já apareceram na telona dos cinemas.

Desejo impossível? Não para o designer, engenheiro e empresário mineiro Rafael Reston. Ele tem em sua garagem nada mais, nada menos que um BATMÓVEL, feito por suas próprias mãos. Reston conta que desde pequeno o mundo do automobilismo o atraia, mas que o pai foi peça importante para fazer com que essa paixão aumentasse ainda mais.

Sonho de ter um Batmóvel acompanhou Rafael Reston desde a infância. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
Sonho de ter um Batmóvel acompanhou Rafael Reston desde a infância. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.

“Desde que me entendo por gente gosto de carros, e isso foi muito acentuado pelo meu pai que me incentivava com LEGO – era o único brinquedo que eu pedia em todos os aniversários -. Isso ajudou muito para desenvolver o lado engenheiro e criador”, afirma. Do cinema, os filmes que contavam com possantes eram os que mais despertavam interesse do então menino que deixava a imaginação ir longe, ao ver que aqueles eram bem diferentes da vida real. Para ele, os carros eram sempre “repletos de sonhos e fantasias”.

Já com relação aos superheróis, a preferência era bem singular: pelo de Gothan City. “O Batman é um dos poucos “super” que realmente não é “super”, ele é “apenas” um bilionário que constrói os brinquedos que usa. Então é um que seria possível na vida real e isso que me atrai nele, assim como a história de vida com todas as contradições, de perder os pais assassinados e ao mesmo tempo ter a vida de bilionário”, explica Reston.

O tempo passou e aquela vontade de ter um carro literalmente de cinema só aumentou. Como gostava muito do mundo das máquinas e motores, se formou e começou a trabalhar na Renault como designer no setor responsável pela América Latina (sediado em São Paulo), além de ter permanecido durante certo período na Europa. Até que um problema familiar o fez voltar às pressas e para não ficar longe de sua paixão, decidiu montar sua oficina.

“O primeiro carro, após o período da Renault, foi um projeto ambicioso: um Mustang 67, totalmente modificado com mecânica BMW V8. Era um projeto super diferente e polêmico, mas que funcionou muito bem. O carro é particular, de um cliente que está muito satisfeito, pois anda em um Mustang 67 com o estilo de antigamente, porém com todo o conforto de carros modernos, como bancos elétricos, ar condicionado digital dupla zona, air bag e ABS, além logico da mecânica BMW super forte”, relembra o engenheiro.

O Batmóvel

Como bom criativo e criador que é, em seu portfólio já são mais de 30 veículos que nasceram em sua oficina. Mas um chama atenção por onde passa: O Batmóvel. E sabe quando surgiu a vontade de fazer um desses? Aos dez anos quando foi ao cinema ver a primeira versão da Saga, aquele com Tim Burton.

“Saí do cinema fascinado com o personagem, mas acima de tudo, com o Batmóvel, incrível no design e na utilidade. Ele era um personagem do filme, super forte, com cenas de tirar o fôlego. Esse carro sempre ficou nos meus sonhos, porém não tinha condições técnicas, muito menos financeiras para executar um projeto desse porte, pois trata-se de um carro dificílimo de se executar. Quando voltei a Minas Gerais, já com toda a experiência adquirida, decidi iniciar o projeto”, relembra.

Ao todo foram quatro longos anos e mais de duas mil horas de trabalho manuais – envolvendo modelagem e mecânica – para deixar o super possante pronto. O modelo é aquele de 1989, mesmo ano que o deixou “babando” na frente da tela de cinema quando criança. “Fiz uma pesquisa imensa do carro e consegui alguns projetos do veículo original do filme. A partir disso, foi feito um projeto 3D em CAD no computador, exatamente como se faria em uma montadora, e começou-se a execução”.

Carro foi confeccionado com Fibra de Vidro e levou quatro anos para ficar pronto. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
Carro foi confeccionado com Fibra de Vidro e levou quatro anos para ficar pronto. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.

E pasme: o Batmóvel brasileiro foi realmente criado do zero. A única parte que não é exclusiva é a do motor, que foi emprestado de um Mustang V8 5.0L de 300cv injetado, assim como o câmbio automático e o diferencial. De resto, tudo exclusivo para o carro, incluindo todos os acabamentos, suspensões, sistema de freios e direção. Já quanto a carroceria… tudo feito à mão.

“A carroceria foi modelada manualmente, e depois revestida com Fiberglass em várias camadas para gerar resistência. Algumas partes estruturais da carroceria possuem mais de 10mm de espessura. Para se ter ideia da complexidade do projeto, em algumas áreas como no molde do painel, e acabamentos internos, foram feitos com corte a laser para garantir a precisão de milímetros ao encaixar os relógios e marcadores. Outras foram utilizadas novas tecnologias como impressão 3D para criar peças perfeitas tanto algumas mecânicas como outras de acabamento”.

O tamanho da máquina realmente impressiona: o carro foi construído dentro das dimensões originais daquele do cinema e possui 6,30m de comprimento por 2,30 de largura, e pesa aproximadamente 1,6 tonelada. De acordo com o dono, se for comparar com um veículo normal, o Batmóvel é maior do que uma Dodge Ram, mas devido a altura baixa forma um belo conjunto.

Veja o vídeo:

Mecânica e Acessórios

É claro que para aguentar um “carro de peso” como este não poderia ser qualquer mecânica. O propulsor escolhido foi justamente o do Mustang, por “aguentar o tranco” na medida certa, e por ser um motor grande, consome à altura: o Batmóvel faz cerca de 3 km/l. Os pneus também chamam atenção, principalmente os traseiros que são 445/70 – 15” e tem quase meio metro largura – o que explica também o alto consumo já que esses itens geram muito arrasto -.

Além disso, o Batmóvel é totalmente funcional. O veículo possui duas metralhadoras que atiram de verdade (apenas bolinhas de Paintball) e se elevam eletronicamente, a suspensão é pneumática o deixando até 15 cm do chão (o original tem elevação de apenas cinco centímetros com relação ao solo), além do fato de que as turbina dianteira gira e a traseira expele fumaça – tudo bem realista.

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As turbinas funcionam de verdade. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
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Vista lateral do carro. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
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Carro recebeu duas metralhadoras de verdade. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
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As metralhadoras somente atiram bolinhas de Paintball. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
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Interior do Batmóvel Brasileiro. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
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Luzes foram adicionadas na parte inferior do veículo. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
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Carro conta com cinco câmeras de ré e até o volante recebeu o brasão do “homem-morcego”. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
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A pilota Hag Schultz fez pose no estilo Mulher Gato com o Batmóvel. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.

Você acha que acabou? Tem muito mais: o carro ainda conta com ar condicionado, bancos elétricos com massageador, além de outros acessórios – “o Batman tem que ter conforto para combater o crime”, brinca Reston. Já na hora de estacionar… o bicho pega! Apesar de contar com três câmeras de ré, duas laterais e uma central (cada uma com sua tela LCD independente), Rafael afirma que se não tiver alguém do lado de fora ajudando, a tarefa é praticamente impossível de ser feita, mas que de modo geral, “é um carro normal para andar, apenas precisa se acostumar com as proporções, pois é muito grande”.

Por ser um carro extremamente incomum, quando sai de casa o empresário já sai preparado para o turbilhão de perguntas, pedidos para dar uma voltinha, além das fotos e vídeos feitos por onde passa com o possante do homem-morcego. Um desses vídeos, inclusive viralizou nas redes sociais e já foi visto por mais de oito milhões de pessoas. Mas nem sempre foi todo esse alvoroço, principalmente em casa.

 

Reston conta que no início os familiares ficaram assustados com a notícia de que ele faria um carro assim, mas em compensação agora, a aprovaçãoo é total. Agora, como um bom seguidor da Saga de Batman, ele conta que já está sendo posta em prática a famosa moto do “morcego”, a BATPOD, além de outros veículos de filmes.

“Estamos com planos de outros carros de filmes, inclusive outros Batmóveis, e já esta em andamento o BATPOD, a moto utilizada pelo Batman e pela Mulher Gato na Trilogia do Cavaleiro das Trevas. Aquela com pneus imensos. Esse projeto está com prazo para o começo do ano que vem e já está com seu gabarito de ergonomia pronto. Vai ficar muito legal”.

BATPOD, a moto de Batman está em construção. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.
BATPOD, a moto de Batman está em construção. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Rafael Reston.

 

Quando questionado sobre o significado do carro para o empresário e se o venderia, Reston é bem direto: “(Significa) Simplesmente tudo – prazer, trabalho, dor de cabeça, preocupação e diversão. É a coisa mais importante para mim, depois de minha família. Resume tudo e ele não está a venda”, conclui.

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