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Fusca, “amor para toda vida”

 #VOCÊNOSÓCARRÃO: SÉRGIO ROZA – CURITIBA/PR.

 

Sergio Roza é daqueles proprietários que cuidam do carro como se fossem da família, aliás, mais do que isso, “como se fosse um filho” – como ele mesmo salienta -. A paixão por Fuscas nasceu na década de 70 quando ganhou de seu pai, o primeiro. Depois disso, o gosto só aumentou e hoje divide com mais de quatro mil seguidores no grupo que administra no Facebook. Roza admite, gosta de ver o sucesso que o carro faz quando sai de casa e apesar de saber que muita gente não “curte” o modelo, não liga. Pelo contrário, ser “fusqueiro” é motivo de orgulho. Conheça a história:

“Em 1975 ganhei do meu pai meu primeiro carro, era um Fuscão 1972 Vermelho Royal – um carro com menos de três anos de uso, uma verdadeira jóia -. Levei um bom tempo até acreditar que aquele carro era meu. Os anos se passaram, tive vários outros carros, mas nunca esqueci o Fuscão. Naquela época, como se diz hoje em dia: “as mina piravam no Fuka”. Depois desse as coisas apertaram um pouco e comprei um 1967, ainda com bateria de seis volts. Quando acendia o farol precisava desligar o rádio.

Há uns cinco anos resolvi comprar um que fosse parecido com o meu primeiro, mesmo que não estivesse em bom estado, para reformá-lo e deixá-lo impecável. Nessa busca, de aproximadamente quatro meses, me deparei com uma foto em um anúncio na Internet: Pensei: “porque comprá-lo? porque não comprá-lo? comprei-o!”. Afinal já está do jeito que eu quero.

Depois de muita negociação com o vendedor chegamos a um preço que eu queria (e podia) pagar. Difícil foi chegar para minha esposa e dizer que paguei uma pequena fortuna por um carro antigo. A primeira coisa que ouvi foi: “Para que gastar tanto dinheiro num carro velho?”. Não é um carro velho, é um carro antigo (Bem diferente). Aos poucos ela foi conhecendo esse mundo e hoje até me acompanha em vários encontros de Fuscas. E não são poucos. Meus filhos me acompanham em todos.

Minha primeira ideia era usar o fusquinha como carro do dia a dia e deixar meu outro carro grande em casa para finais de semana, mas em pouco tempo a coisa se inverteu. Não tive coragem usar o fusquinha no dia a dia e quem fica na garagem é ele. Só sai em finais de semana e se não chover. Nem lavar ele eu lavo (há quatro anos). Chuva então? Só se ela me pagar de surpresa. Só espanador para tirar a poeira, paninho úmido e cera da melhor qualidade.

Mas o mais gostoso disso tudo é o sucesso que ele faz nas ruas quando eu saio, as pessoas viram o pescoço; umas param e ficam admirando o carro enquanto eu me divirto olhando-as pelo retrovisor até sumirem de vista. Alguns param e perguntam se tem preço, outros me dizem “nem vou fazer uma oferta, pois sei que você não vai vender”. Outro fator que me deixa feliz é o fato de que fiz muitas amizades no mundo dos “fusqueiros”, amigos de verdade mesmo, posso afirmar com tranquilidade.

Quando para abastecer, o que é raro já que ando pouco e um tanque dura cerca de dois meses, fico no posto uns 40 minutos, pois tenho que esperar as pessoas tirarem fotos, conversarem comigo, fazer inúmeras perguntas e o pior é que eu gosto. Com isso acabei me tornando um dos administradores do Fusca Club Curitiba, página no Facebook destinada a amantes dessa “máquina de fazer amigos” como se diz por ai.

Já estamos com mais de 4.000 membros e cada dia crescendo mais, pois tenho uma capacidade, que nem eu conhecia, de transmitir às pessoas essa minha paixão, incentivando-as cada vez mais a conhecer e admirar esse veículo histórico sem precedentes e em minha opinião não haverá sucessores com tamanho sucesso.

Não sei exatamente por que o Fusca atrai a atenção de muitos. Talvez pelo fato de que você não vê um igual ao outro. Pode-se colocar 5.000 fuscas um ao lado do outro e não haverá nenhum idêntico entre eles. Cada um tem a personalidade de seu dono. É um carro infinitamente customizável, qualquer acessório que se coloque nele fica bom, até uma ratoeira pendurada na antena (muitos também o detestam, reconheço). Meu Fusca é como um filho hoje, sempre que posso compro um presentinho pra ele. E como todo mundo sabe: Filho não se empresta, não se vende e não se dá – é amor para toda vida”.

SERGIO ROZA – CURITIBA/PR.

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As fotos foram cedidas por Sergio Roza e fazem parte de seu arquivo pessoal.

Envie você também a sua história. Basta mandar um e-mail para jornalista@socarrao.com.br. Participe!

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