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Graxa nas mãos e salto alto nos pés

Empresária do DF monta oficina mecânica para mulheres e fatura alto.

Imagine uma situação: você junta dinheiro, consegue finalmente comprar um carro usado e para garantir que está tudo certo, leva-o em uma oficina mecânica. Chegando lá, o mecânico olha, olha de novo, examina mais um pouco e dá um diagnóstico de ficar de “cabelos em pé”. Quando a conta chega, mais um susto. Você decide então investigar a situação e descobre que boa parte do que foi cobrado nunca existiu no seu carro.

Foi o que aconteceu com a empresária Agda Óliver em 2008. Quando comprou seu primeiro carro não tinha ideia de que carro era sinônimo de manutenção constante. Alertada por amigos ela decidiu então ir até uma oficina mecânica para fazer um check-up no veículo e lá teve uma experiência bem desagradável.

“Um dia entrei numa oficina e me senti super mal, não fui bem atendida, recebi um orçamento enorme de defeitos, não informaram sobre o que meu carro tinha e pelo pouco que conversaram comigo, entendi que a qualquer momento meu carro explodiria. Mesmo assim autorizei o serviço. Para minha surpresa o atendimento não demorou mais de uma hora e meia. Paguei quase R$ 700,00”, conta. A empresária diz que ficou chateada e por isso passou a pesquisar sobre mecânica e a ler o manual do carro.

Antes dos acontecidos ela já pensava em montar o próprio negócio, mas a coragem só surgiu depois de tudo isso, pois ela enxergou aí uma forma de ajudar outras mulheres e ganhar dinheiro. “Percebi que não era só eu que tinha problemas em oficinas, que todas as mulheres sentiam o mesmo desconforto e preconceito e que “ser um peixe fora d’agua” era comum. Nessa época eu já sentia a vontade de montar meu próprio negócio, só não sabia o que fazer. Surgiu então a ideia de uma oficina mecânica feminina, aonde elas chegariam e ganhariam toda a atenção merecida com ética, transparência e qualidade”.

Agda na época era gerente de um grande banco e quando comunicou a família sobre sua decisão, pegou a todos de surpresa e isso fez com que de início não tivesse muito apoio, justamente pelo medo de o negócio não dar certo. Após muita conversa com o marido, a orientação foi procurar pelo Sebrae onde obteve todo incentivo positivo e aprendeu muito também.

A ex-bancária e empresária Agda Óliver enxergou na dificuldade a oportunidade de crescer profissionalmente. Crédito da Foto: Arquivo Pessoal / Agda Óliver.
A ex-bancária e empresária Agda Óliver enxergou na dificuldade a oportunidade de crescer profissionalmente. Crédito da Foto: Arquivo Pessoal / Agda Óliver.

 

 “Mãos à graxa”

Para começar a montar a empresa foram investidos na época R$60 mil. Apesar do medo de sair no prejuízo a empresa deu certo, o retorno veio em três anos e o crescimento é de aproximadamente 15% ao ano. Fora o atendimento comum do dia a dia, o cuidado com o cliente é um dos grandes diferenciais e o retorno é mais que financeiro.

A empresária e parte de sua equipe, ao fundo. Crédito da Foto: Arquivo Pessoal/ Agda Óliver.
A empresária e parte de sua equipe, ao fundo. Crédito da Foto: Arquivo Pessoal/ Agda Óliver.

 Agda conta que o público sempre dá feedbacks positivos justamente pelo atendimento e pelo ambiente: “Temos o cuidado de manter a oficina sempre limpa e organizada, trabalhamos todos uniformizados e com total atenção no cliente, independente de cor, raça, sexo e com qual o carro que o cliente chega à oficina”, afirma.

Por dia passam por lá em média oito veículos, somando ao final do mês  aproximadamente 190 atendimentos. Para tornar o público fiel, os “mimos” fazem toda a diferença. Um exemplo é o banco de dados detalhado que reúne informações do carro e do proprietário, lembrando até mesmo quando a CNH do motorista está perto de perder a validade.

“Nunca tive problemas com graxa. Não sou fresca. Como dizia meu pai, quem está na chuva é para se molhar”, afirma Agda. Crédito da Foto: Arquivo Pessoal / Agda Óliver.

Mas quem acha que ali só pisa mulher está enganado. Eles também fazem parte dos atendimentos tanto como “fregueses” quanto “do outro lado do balcão”. Segundo a empresária a maior parte dos atendimentos é voltada ao público feminino, mas são os homens que gastam mais com os serviços. Já sobre cuidados com o carro, ela garante, os homens vencem a disputa: “No geral, ele é mais cuidadoso com o carro, previne mais. A mulher é mais para o plano corretivo, faz quando estraga”.

TPM – Terça Para Mulheres

Se tem uma coisa que incomoda “gregos e troianos” é a tal da TPM. Porém, na oficina de Agda essa sigla tem um significado melhor – Terça Para Mulheres. Como as terças-feiras eram dias de baixo movimento, a empresária fez um curso de Inovação pelo Sebrae e lá surgiu a ideia de criar um dia em que as clientes pudessem executar os serviços automotivos e ainda cuidarem de sua beleza, aprender mais sobre mecânica e outros assuntos do mundo feminino.

“Eu precisava apresentar um projeto que fosse inovador para minha empresa e para o mercado externo. Eu tinha um dia na semana muito fraco no movimento – a terça feira. Então surgiu a TPM Terça para mulheres, onde nesse dia elas ganham descontos e serviços de cuidado com a pele e design de sobrancelha”, explica. E a ideia deu super certo, pois antes do plano sair do papel havia dias em que movimento na empresa era muito baixo ou nulo. Hoje, a média de atendimentos é de até doze carros.

 Palestras

Em 2012 a empreendedora ganhou Trofé Ouro no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios pela ideia inovadora, ganhando como recompensa uma viagem de 12 dias para a Alemanha onde segundo ela pode crescer e ver uma nova forma de gerenciar os negócios. Hoje Agda faz palestras e incentiva que mais mulheres corram atrás de seus objetivos.

Na cerimônia de premiação do Sebrae, o Presidente da Instituição Luiz Barreto Filho, Agda Óliver e a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República Tatau Godinho. Crédito da Foto: Arquivo Pessoal/ Agda Óliver.
Na cerimônia de premiação do Sebrae, o Presidente da Instituição Luiz Barreto Filho, Agda Óliver e a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Tatau Godinho. Crédito da Foto: Arquivo Pessoal/ Agda Óliver.

Ela conta que em suas palestras procura abrir os olhos das espectadoras e dá a dica para quem pretende abrir o próprio negócio mas ainda não tomou coragem: “A mulher está imponderada, bem informada. Conquistamos o direito de fazermos o que quisermos e o futuro é o limite. Insisto e persisto, então insista e persista. Você é o que você quiser, basta ter perseverança, acreditar e acordar cedo. Aproveite cada momento e não desperdice tempo, temos 24 horas por dia e são as mesmas horas para todo mundo, só que enquanto algumas dormem, outras agem”, aconselha.

Quando questionada sobre quais os conselhos daria para que outras mulheres não passem pela situação que enfrentou antes de iniciar seu negócio, ela aconselha: “Leia o manual e siga corretamente as revisões, independente da idade e da quilometragem do seu carro, pois ele precisa de uma revisão a cada 6 meses ou 10.000km rodados, o que ocorrer primeiro. Encontre uma oficina de confiança e faça seus serviços sempre no mesmo lugar. Leia, pesquise e se atualize”.

Para quem tem interesse em saber mais sobre mecânica para mulheres há um blog criado pela empresária. O endereço é o (www.meumecanicoweb.com.br/blog).

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