Pilota e musa das pistas: conheça a história de Hag Schultz

#VOCÊNOSÓCARRÃO: HAG SCHULTZ – JOINVILLE/ SC.

 

Ela é musa e deixa muito “marmanjo” babando com sua beleza digna de uma das profissões que tem: a de modelo. Porém, quem a vê e não conhece a história desta catarinense nem imagina qual é sua verdadeira paixão: o automobilismo. Mas esse gosto por máquinas não começou da melhor forma, digamos assim. Aos 18 anos, Hag Schultz usava o carro dos pais para fazer “rachas” nas avenidas de Joinville, sua cidade natal. A decisão de se especializar no ramo só veio quando levou um grande susto. “Não me orgulho em dizer que começou de forma irresponsável. Depois de um acidente eu percebi o quanto a vida era frágil e canalizei essa energia em outros esportes”, conta.

A compra de seu primeiro carro não demorou muito. Aos 21 anos comprou o Frankenstein – Frank, como o chama carinhosamente -, um Ford Ka preto, “todo remendado”, segundo a ex-dona. Ali talvez tenha sido um marco na vida da então modelo. Ela conta que não demorou muito para tomar a decisão de se mudar e vir atrás do que realmente a interessava. Chegando a Curitiba, onde reside até hoje, Hag teve seu primeiro contato com as pistas do Autódromo através do TrackDayIn, uma verdadeira escola para quem gosta de acelerar.

Por lá, ajuda do “anjo da guarda” e piloto Milton Borges Vieira foi essencial, principalmente por que na época a moça era principiante. Após muito treino e esforço por parte de ambos, Hag ganhou o convite para participar do Campeonato Paranaense de Marcas, o qual participa até hoje com o Voyage Carburado do amigo. A paixão já dura um ano e meio e de acordo com a pilota, “não quer saber de outra coisa”. Mas não pense que o TrackDay ficou de lado. Hoje a pilota tem um Nissan Tiida todo modificado para as pistas que recebeu uma central Unichip, escape dimensionado, Intake, discos frisados, pastilhas de alta performance, além da suspensão e das molas esportivas.

"Mitiida" e Hag Schultz: equipado, carro é preparado para as pistas e asfalto. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Hag Schultz.
“Mitiida” e Hag Schultz: equipado, carro é preparado para as pistas e asfalto. Crédito da Imagem: Arquivo Pessoal/ Hag Schultz/ Sport News HD.

E adivinhe qual o nome desta máquina? “Mitiida” é claro, uma vez que se trata de um Nissan Tiida 2009 vermelho e todo incrementado. “Para o TrackDayIn utilizo esse carro que também é um carro de rua. Toda a adaptação foi feita aos poucos, e cada vez que eu vou para a pista fazemos uma modificação, buscando sempre melhorar o tempo. Quem cuida com todo o carinho do meu Nissan Tiida é a Unichip – PR”, explica Schultz. E essa parceria já rendeu frutos. Neste ano, Hag Schultz disputou seu primeiro campeonato, o Paranaense de Marcas, pelo qual está na categoria turismo. Na primeira etapa, Hag ocupou o oitavo lugar, mas na fase mais recente chegou em quinto faturando o tão sonhado pódio e o troféu da competição.

Mas não para por aí. No dia 01 de agosto acontece a primeira etapa do Kart dos Artistas, no qual ela tem presença garantida. Apesar da segunda fase ainda não ter confirmação de local, a terceira acontecerá em Florianópolis, junto com as 500 Milhas. Com relação às expectativas, a pilota garante: “São as melhores possíveis. Pretendo terminar a temporada (Paranaense) e se tudo der certo continuar ano que vem, sempre buscando o melhor resultado. Também estou animada com o convite que recebi para ser piloto do Kart dos Artistas, evento que acontece em três estados brasileiros esse ano, além de  participar sempre do TrackDayIn, onde tudo começou”, relata.

Quebrando tabus

Para quem acha que lugar de mulher é fazendo “comprinhas” e não nas pistas, melhor mudar de ideia. Apesar de ser uma das únicas mulheres a se “aventurar” nas pistas, Hag Schultz não tem medo de cara feia. Quando questionada sobre preconceito, a bela é bem categórica: “Eu acredito que o preconceito está na cabeça de cada um. Não me acho melhor ou pior que os outros pilotos e o fato de ser mulher não muda em nada. Hoje as pessoas precisam entender que não existe esporte masculino ou feminino, ou atividades que somente o sexo oposto possa praticar. Isso é besteira”.

E ainda complementa: “Humildade e dedicação são coisas que ambos precisam ter. Uns não acreditam muito quando eu falo, outros ficam surpresos e querem saber mais sobre minha história”. Já quanto à família, no início houve mais resistência, mas hoje, ver a jovem nas pistas virou motivo de orgulho: “No início eles me desmotivaram, e eu entendo que como toda família que quer proteger seus entes, eles estavam preocupados com a minha segurança. Mas sabiam que quando eu queria algo ia até o fim, então acabaram cedendo e hoje eles estão muito orgulhosos”.

Além do apoio dos familiares e amigos, a pilota conta com patrocínio de várias empresas (Jo&Merli, Layze Bastos Gastronomia Saudável, Lady&Lord, Unichip-PR, Visomax, Raceland, Top Cars Day, além do empresário Márcio Franz). Porém, Hag comenta que infelizmente muitos pilotos acabam desistindo por falta de apoio. “No Brasil o Automobilismo não é levado muito a sério e muitos atletas talentosos acabam desistindo do seu sonho por ser tão difícil receber o apoio moral e principalmente financeiro. Estou à procura de patrocínio, tenho recebido muitos convites para trabalhos e corridas, mas infelizmente na atual situação econômica do país, estou perdendo oportunidades, o que é uma pena tanto para mim quanto para outros atletas que sofrem do mesmo problema”, finaliza Hag Schultz.

Conheça o trabalho:

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As fotos são de arquivo pessoal de Hag Schultz, Marcos Vinicius Lago, Fabiano Guma, Lysandro Luiz, Mel Gabardo e Fernando Bozza.

 

Capa: Fabiano Guma.

2 comentários sobre “Pilota e musa das pistas: conheça a história de Hag Schultz”

    1. José, a forma está sim correta. Quem explica isso é o Professor Pasquale, autoridade em Língua Portuguesa. A maior explicação para essa denominação é que antigamente só existiam pilotos e era incomum utilizar esse termo (no caso, pilota). Hoje em dia, cada vez mais as mulheres estão dominando profissões ditas masculinas e houve a necessidade de adaptar vários termos, incluindo “presidente/ presidenta”.

      Segue um breve exemplo: http://duvidas.dicio.com.br/a-piloto-ou-a-pilota/

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