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Shelby Cobra 427: uma máquina e mil histórias para contar

#VOCÊNOSÓCARRÃO: CICERO NATAL – CURITIBA/PR.

 

Sabe aquelas histórias que dariam um bom filme? A de Cicero Natal com seu Shelby Cobra 427 é uma dessas. O gosto por carros nasceu junto de seu pai, que também é um aficionado por máquinas e motores. Compra carro daqui, vende dali, pesquisa, troca, compra peças… Até que um dia se deparou com o tão sonhado carro em uma reportagem. Pronto: a partir dali a “loucura” começou, mas valeu a pena, a julgar pelo resultado final. Conheça a história:

 

 

“Em meados de 2004 meu pai que também é um apaixonado por carros participava de um leilão de veículos em Curitiba, onde comprou um Puma AM3 1990 de cor azul – uma das últimas fabricadas deste modelo -. Pouco tempo depois trocou o carro por serviços de mecânica com seu amigo Jorge (o “china”), que devolveu o Puma a ele. Foi aí que o ganhei de presente e andei por quase dois anos, mas o carro tinha motor de Santana na traseira e sempre fervia, tinha que parar e colocar água.

Um dia, por acaso, acabei na fábrica da Puma. Tive alguns problemas com o carro (que acabou todo riscado e quebrado) e o coloquei em uma oficina para reforma-lo completamente. Nesta mesma época vi uma matéria na tevê em que o repórter estava acelerando um Shelby Cobra da Glaspac, a primeira a fabricar e reproduzir Cobras no Brasil. Fiquei maluco pelo carro e botei na cabeça que iria ter um daqueles de qualquer jeito. A Puma estava sendo desmontada para pintura quando resolvi ligar para a Fábrica,  a qual fiz amizade com os donos que me atenderam e foram “gente finíssima”, deram fotos do carro e contaram um pouco da história também. Acabei vendendo minha Puma para eles e com o dinheiro comecei a ir investir junto com meu pai.

Passava eu em junho de 2006 pela Força Livre Motor Sport quando vi de relance um Ford Cobra 427 em exposição. Parei imediatamente para ver o carro e a pessoa que me atendeu me passou algumas orientações e o contato do dono do carro –  liguei assim que cheguei em casa -. Passadas duas semanas levei meu pai para ver o veículo e também para me dizer o que achava da “encrenca”. Ele me disse que seria difícil deixa-lo igual ao da loja, pois tomaria tempo e muito dinheiro. Também argumentou que eu me lembrasse da experiência dele com um Porsche Carrera (réplica), o qual após alguns anos tentando achar um profissional competente para terminar o carro e passado por diversas oficinas acabava sendo retirado pior de que quando entrou.

 Mesmo assim após realizar alguns negócios acabei comprando todos os emblemas do Cobra. Quando chegou, lembro que meu pai viu e não falou nada, pensei “ferrou, comecei a encrenca e vai ser um sacrifício construir algo sem muito dinheiro”. Fiz muita pesquisa, contato com construtores e fabricantes em São Paulo e outros Estados e comprei um Landau 1980 Série Prata todo desmontado e baixado no Detran para retirar peças. Logo depois comprei uma carroceria do Cobra que veio de São Paulo,  e quando chegou fiquei muito decepcionado, era torta com diversos defeitos e ondulações.

Chateado por colocar dinheiro bom em coisa ruim, e sem ter como devolver, pois sairia mais caro, empilhei na garagem de onde morava. Apesar de a garagem ser grande, somente o Landau já ocupava metade do espaço e as encrencas começaram com meus pais que diziam que “não havia espaço”, “era um lixo”, que “tinha que limpar a garagem” e assim por diante. Acabei encontrando uma empresa em Santa Catarina que dizia conhecer do assunto e construiria o chassi construiria e todos os suportes necessários para o carro, e fixaria a carroceria.

Resumindo: o mesmo permaneceu lá por três longos anos e o serviço não andava, até o dia em que cansei, chamei um caminhão e carreguei sem que o serviço estive pronto, trazendo novamente para casa. O coloquei no canto da garagem para evitar incomodo. Na época eu trabalhava em uma concessionária da Fiat e comprava peças que o mecânico pedia e ia importando outras de acabamento do carro, pois o valor de importação e a qualidade das peças eram muito mais interessantes e superiores que as fabricadas no Brasil. Comecei a pesquisar o valor que sairia para pintar o automóvel e foi uma surpresa, pois os valores variavam de 5 a 12 mil reais, o que achei um absurdo.

Coincidiu que acabei saindo da concessionária e sendo chamado para trabalhar em uma oficina de lataria e pintura de veículo, onde após alguns meses de trabalho e conversando com o dono, fui autorizado a levar o Cobra para lá e a pinta-lo utilizando toda a estrutura do local.  Trabalhava o dia todo e após encerrarmos todas as atividades, ficava cortando e arrumando a fibra e as coisas erradas feitas nele. Pedi que mais uma pessoa me auxiliasse, pois nunca havia feito tal serviço de pintura em fibra de vidro.

Foram longos sete meses: lixamos e corrigimos todos os defeitos, trabalhávamos sábado e em muitos domingos também, e após ter desmontado o carro todo e refeito tudo que foi pago e mal executado, o Cobra tomava forma e estava sendo pintado. Foi um dia muito legal, tomamos muita cerveja e a alegria era tanta que liguei para meu pai contando que o carro estava maravilhoso pintado. Depois de alguns dias, o carro secou e comecei a monta-lo. Nisso apareceram alguns curiosos e outros interessados, e mesmo não querendo vender me ofereceram 70 mil reais ali, na hora. Tive que rejeitar. Pouco depois a mesma pessoa voltou e me ofereceu um terreno com valor um pouco maior. Da mesma forma de antes rejeitei, pois queria pelo menos andar no carro, escutar o motor… Ter um pouco de prazer em dirigi-lo.

Terminada a pintura e montagem parcial, o levei para casa na bendita garagem, pois a grana estava bem curta. Eu trabalhava o mês todo, encomendava e comprava uma peça, depois ficava “duro” o mês todo: poucas festas, boteco com amigos, nada. Não tinha um tostão sequer para gastar. Tudo que eu ganhava ia para o carro. Minha namorada (agora esposa) ficava louca – aliás, ainda fica brava comigo por gastar, gastar e gastar e nada do carro andar -. E assim foi passando por diversas outras adaptações até ficar quase do jeito que eu sonhava. Precisei de alguns serviços especializados de oficinas que só me tomaram dinheiro e tempo.

Foram muito sacrifícios para terminar o carro que ficava de meses até um ano jogado no canto de uma oficina, e acabava saindo da mesma forma ou ainda saia riscado, quebrado, com peças roubadas e tudo mais. Passaram-se mais de sete anos e o Cobra está nos “finalmentes” agora, somente com alguns acabamentos de motor e documentos para por em dia. Saio com ele as vezes para testa-lo. O ronco do motor é “animal”. Minha alegria e a de meu filho Yan andando no carro valem cada centavo que gastei. O pessoal na rua nos cerca, ficam perguntando e tentando compra-lo. É divertido, pretendo fazer outro projeto quando estiver mais tranquilo, pois é um prazer incontestável”.

 CICERO NATAL

CURITIBA/PR.

 

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As fotos são do arquivo pessoal de Cícero Natal.

 

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