Olhares eletrônicos

Sensores a laser e radares brigam para ver quem vai equipar os sistemas de cruise-control do futuro

Por um desses enganos de tradução que mais parecem propaganda enganosa, convencionou-se chamar de piloto automático os sistemas de cruise-control que apenas fixam a velocidade do veículo, dando descanso momentâneo ao pé direito. Em 1999, o Mercedes Classe S deu um passo além, empregando radares para monitorar a distância em relação aos carros da frente e assim controlar a velocidade automaticamente. Desde então, os sistemas de cruise-control com radar foram se alastrando pelo catálogo de marcas luxuosas como BMW, Cadillac e Volvo.

A novidade na área é a sofisticação desses sistemas – os mais modernos integram dois sensores redundantes: um para longas e outro para curtas distâncias, ou mesmo câmeras com sensores infravermelhos – e o surgimento dos dispositivos a laser – estes com a vantagem de custarem menos e ajudarem a popularizar o recurso, trilhando o mesmo caminho de freios ABS, airbags e sistemas de controle de estabilidade, que deixaram de ser considerados itens de luxo para se tornarem equipamentos básicos de segurança.

Contra o laser, fabricantes de sistemas de radar – como Bosch e Delco – alegam que o sistema concorrente não é tão confiável. Isso porque os sistemas a laser apresentaram problemas de funcionamento em condições climáticas adversas, durante os primeiros testes de campo. "Mas essa deficiência já foi resolvida", afirma o diretor de vendas da empresa alemã Ibeo, Mario Brumm. A Ibeo faz parte da Sick AG, fornecedora dos cinco sensores laser que equiparam o Stanley, um Volkswagen Touareg robotizado que atravessou o deserto do Mojave (EUA) em 2005, sem piloto algum.

Os dois sistemas seguem o mesmo princípio de funcionamento. Eles emitem sinais que são refletidos ao encontrarem obstáculos à frente e calculam a distância e a velocidade desses obstáculos em função do tempo de retorno dos sinais.

INTEGRAÇÃO TOTAL

Para cobrir a maior área possível tanto na frente quanto atrás do automóvel, são necessários quatro sensores (1), um em cada canto da carroceria. Os traseiros avisam a aproximação de outros veículos, enquanto os dianteiros controlam a presença dos carros que seguem à frente. Uma central eletrônica (2) recebe e processa os sinais recebidos pelos sensores e decide que medidas deve tomar em cada situação. Para isso, a central está conectada a outros sistemas do veículo, como os de freio, suspensão e direção
(3) – para monitorar as condições de rodagem e até as reações do motorista -, além de também estar ligado aos dispositivos de segurança passiva como airbags (4) e cintos de segurança (5)

PERIGO À FRENTE

(1) O sistema dispara raios (laser) ou pulsos eletromagnéticos (radar) para mapear o tráfego à sua frente. Quando encontra algum obstáculo, os sinais são refletidos e captados pelos sensores, que informam à central do sistema a distância e a velocidade do objeto. (2) A posição do carro à frente é indicada no painel. A central controla o acelerador e o freio, de acordo com a necessidade e a distância de segurança (que pode ser previamente ajustada pelo motorista, através de um botão do sistema, no console). (3) Ao perceber uma aproximação muito perigosa, a central se prepara para uma frenagem de emergência, ativa parâmetros mais seguros de suspensão e de direção e tensiona os cintos de segurança. O motorista é avisado por meio de sinais visuais e auditivos.

VAI BATER!

(1) No caso de um impacto iminente, o sistema freia o carro automaticamente e pré-tensiona os cintos de segurança do motorista e dos passageiros. (2) Em seguida, rastreia o carro à frente para saber que parte será atingida primeiro, para depois reajustar os cintos e acionar airbags conforme intensidade e ângulo da colisão.