Volkswagen inicia recall do Fox

Empresa apresentou laudos do IPT e InMetro sobre o novo sistema do banco.
511 mil proprietários serão notificados, mas apenas 293 mil precisam trocar o sistema.

A Volkswagen do Brasil convoca nesta terça-feira (3) os proprietários dos modelos Fox, CrossFox e Spacefox para recall do mecanismo de rebatimento do banco traseiro.

Participarão do recall os veículos que possuem banco traseiro com encosto inteiriço e corrediço (ajuste longitudinal), totalizando 293.199 unidades. Mas para tranquilizar os proprietários, a Volkswagen vai convocar todos os donos de modelos Fox produzidos no Brasil, um total de 511.116 unidades, incluindo aqueles cujo carro possui banco fixo ou bi-partido (modelos que não participam do recall).

Em reunião nesta segunda-feira (2), em São Paulo, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) do Ministério da Justiça, os Ministérios Públicos de São Paulo, Santa Catarina e Bahia, o Ministério Público Federal e o Procon de São Paulo, receberam a solução técnica apresentada pela empresa, em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em abril.

Como solicitado no TAC, dois institutos oficiais, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), emitiram parecer técnico sobre a solução adotada.

Serão instalados componentes adicionais no mecanismo, fixadas novas etiquetas de orientação e de alerta e fornecidos complementos informativos à literatura de bordo (suplemento ao Manual do Proprietário, e folheto ilustrativo da operação). Os países da América Latina e África para onde os modelos são exportados serão comunicados e definirão a ação a ser tomada de acordo com sua legislação. No total, 119.392 unidades com o banco especificado circulam nesses mercados.

As informações do recall serão divulgadas nesta terça-feira, em anúncios de TV, rádio e jornais e ficarão no ar por 15 dias. A empresa enviará cartas a todos os clientes da família Fox, sugerindo que marquem data e horário para comparecer ao concessionário. Também vai manter uma linha direta para esclarecimentos (0800 019 8866) e um hot site com informações detalhadas (www.vw.com.br/bancodofox).

A solução da Volks
Para aperfeiçoar o mecanismo de rebatimento do banco traseiro, serão adicionados componentes nos modelos com banco traseiro de encosto inteiriço e corrediço (ajuste longitudinal). Também serão fixadas novas etiquetas de orientação e advertência em quatro pontos do banco.

O Manual do Proprietário do Fox, que já possui o descritivo da operação do mecanismo de rebatimento, vai receber um suplemento mais detalhado e com ilustrações atualizadas. Também será acrescentado a ele um folheto ilustrado com o passo-a-passo da operação de ampliação do porta-malas. Este material irá complementar as novas etiquetas, orientando, de forma didática, a correta operação do sistema.

A instalação das peças e etiquetas levará, em média, uma hora. Os clientes devem marcar um horário para serem atendidos. Um consultor técnico verificará o tipo de banco. Se for um banco traseiro de encosto inteiriço e corrediço (ajuste longitudinal), o veículo receberá o kit de aperfeiçoamento do mecanismo. Se for um banco fixo ou bi-partido, o proprietário será orientado sobre como realizar a operação, mas não precisará receber o kit, pois estes modelos não participam do recall. O tempo de atendimento poderá variar dependendo da programação da concessionária.

O que muda
A alça utilizada para destravar o encosto do banco traseiro será substituída por outra de cor vermelha, mais larga e mais comprida que a atual, melhorando o manuseio. Para que a alça fique corretamente posicionada, com uma extremidade no porta-malas e outra sobre o assento do banco traseiro, será adicionado um suporte metálico posicionador. Este componente passará pelo centro da alça e será fixado na travessa metálica da parte de trás do assento.

Na parte posterior do encosto, sobre a argola onde é fixada a alça utilizada para destravar o mesmo, será adicionado outro suporte metálico. Sua função principal é fechar todos os orifícios, evitando a possibilidade de acesso. Além disso, este suporte retém a alça dentro da argola.

Será adicionada ainda uma cobertura de plástico rígido sob a haste metálica do sistema de destravamento do encosto (que fica sob o assento). A finalidade também é bloquear um possível acesso.

Novos adesivos serão fixados no banco – dois na parte inferior do assento, e dois na parte posterior do encosto. Todos contêm ilustrações e advertências sobre a correta operação do sistema, além de informar, passo-a-passo, como realizar o procedimento, que permanece inalterado.

O anel de borracha, oferecido gratuitamente pela montadora aos proprietários dos modelos Fox, será retirado para permitir a instalação do kit.

Entenda o caso
Pelo menos oito consumidores tiveram parte dos dedos decepados e 14 ficaram feridos após manusear peça instalada no banco traseiro para ampliar ou diminuir o espaço do porta-malas.

Em comunicados enviados à imprensa anteriormente, a empresa havia afirmado que é segura a operação do sistema de rebatimento do banco traseiro do Fox – que se constitui em afastar ou aproximar o encosto do assento traseiro para aumentar ou diminuir o tamanho do porta-malas – desde que sejam seguidas as instruções contidas no Manual do Proprietário.

Em fevereiro, a Volks passou a disponibilizar um anel de borracha para ser instalado no cabo de tração para destravamento do encosto do banco traseiro, cobrindo totalmente a argola de metal que feriu os proprietários. A empresa foi questionada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), os Ministérios Públicos de São Paulo, Santa Catarina e Bahia, o Ministério Público Federal e o Procon de São Paulo sobre os acidentes ocorridos com nove proprietários do modelo Fox durante o manuseio do mecanismo de rebatimento do banco traseiro.

A Volkswagen assinou, em 14 de abril, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no qual se comprometia a apresentar uma solução técnica com parecer emitido por instituto oficial antes de realizar o recall. O prazo estabelecido foi de 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias. A empresa decidiu contatar dois institutos, o InMetro e o IPT.

Fonte: G1